Gordura pega.

 

É isso mesmo, gordura se transmite feito vírus. Cheguei a essa conclusão depois de uma grande observação qualitativa desde que entrei no Pilates em janeiro; Desde que comecei aumentei cinco quilos.

Meu professor  tem mais do que cinco quilos pra me dá. Acho que ele me contaminou e por isso engordei. O grande problema do mundo não é a magreza. O grande problema efetivamente é a gordura.

Sou um homem da saúde mas evito ao máximo falar de saúde aqui porque acredito que saúde é muito chato para ser falado.

Eu adoro gente magra e acho que o mundo seria mais feliz se todo mundo comesse e não engordasse. Não vejo problema algum naquelas modelos macérrimas. Acho tudo lindo e cool. Prefiro que elas morram magras e rápido a morrer gordas e a conta-gotas.

Gordos do mundo uni-vos! Os magros não sambem do que sofremos.

Portanto chego a minha conclusão cientifica que gordura pega.  Preciso saber ainda a distancia de segurança para não ser contaminado por um gordo. Isso demanda muito tempo de investigação, mas posso dizer que convivência a menos de um metro, como eu e meu professor de pilates , eleva a possibilidade de acumulo de gordura em alguns dígitos.

Se despeça da gordura e fique longe de quem a tem, porque muito mais perigoso do que o vírus da gripe pandêmica atual é alguém com excesso de gordura do teu lado, porque para se livrar disso nem lavando as mãos.

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 19h42
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De Arte.

 

Pensei dias atrás escrever alguma coisa sobre a Arte. Obviamente não quero colocar aqui a coisa acadêmica do conceito. Isso vocês poderão encontrar facilmente em compêndios e na aula de Anco Marcio na Universidade Federal de Pernambuco.

Na atribulação da vida moderna precisamos de uma saída, tirar o pé do chão, como gostam de mandar os cantores de axés. Acho que a arte serve para isso. Nos da o éter necessário para esquecermos de nós mesmos ou pensarmos em nós mesmos. A Arte leva ao pensamento, ao desprezo, à dor, à angustia mesmo que você não queira. A Arte entra sem pedir, é totalmente indisciplinada. Uma mulher de atitude e difícil de ser domada, porque escolhe em que deve estar.

Fazer Arte não é para todos. E nem insistam, ela não entra mesmo que você a chame.

Bom ver a Arte trabalhando. Ela é quem comanda, nunca  é comandada. Ninguém vive de arte , ela é que vive de você. Ela comanda porque foi feita para lembrar que o humano é tão somente humano sem ela.

Não importa de que  cepa seja a Arte, se plástica, se musicista, se nas letras, ela tem o mesmo comportamento, e acredito que seja uma das poucas coisas indestrutíveis. Você acaba com o meio, mas nunca com a essência do meio. Quebre um quadro de Monet, mas nunca poderá quebrar sua genialidade.

A Arte é tão pavorosamente desafiadora e poderosa que entra até naqueles que não tem a sensibilidade para entendê-la. Não se iluda: a Arte domina sua vida.

Bom ver a Arte manifesta. Ela baixa feito caboclo, acho eu. Vi isso milhões de vezes. Vi isso hoje quando assiti à “ Por um fio em Lâ”, do senhor Juan Guimarães. A arte deixa o pequeno grande, o grande maior ainda, o vencível invencível e o doloroso quase penosamente mais doloroso.

Juan me levou com sua dança para outro lado, me jogou, me sacudiu daquela cadeira incomoda  para lá e para cá, me levou à idade média, me fez pensar  e me fez parar de pensar, me deixou mudo e me fez falar mais do que falo . Me puxou os cabelos, as narinas, me esfaqueou e novamente tirou o ar dos meus pulmões , tudo isso a alguns metros de mim. Mas não foi ele que me fez isso, a Arte faz isso sem que nem a gente perceba. Ela tomou aquele corpo sem uma grama de gordura e o fez um Golias. Naqueles instantes percebi que a Arte pode até matar e é capaz de a gente não perceber a morte, porque a Arte é a melhor droga que existe.

E não há hora, nem local ou idade. No mesmo espetáculo, subia do corpo-golias de Juan o vapor do suor do seu esforço. De uma criança atrás de mim ouvi:" - É suor não mãe, é a alma dele”. E essa criança insistiu nessa historia de que era a alma do bailarino que saia naquele momento do corpo.

E claro que a criança estava certa. A mãe com seu pragmatismo barato, achou que aquilo era a condensação do suor no corpo pelo frio. Pobre mãe. Aquilo era a alma de Juan que ora saia do seu corpo aos poucos e nos visitava. Nem ele percebia.

Por que a Arte faz isso, nos tira e nos poe a alma, como que para mostrar que quem manda na gente e no mundo é ela.

 

 



Escrito por O dono do blog. às 23h13
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Eu sou bonzinho e magnânimo. Quando não mostro o problema e a solução, mostro a cobra e o pau para matar a cobra.

Estou surpreso com a comunidade gay que tem a capacidade de se organizar como uma minoria irritantemente constituída para ser minoria sem ser minoria, ao contrario dos judeus que são minoritariamente minoria e por saberem disso se organizam como tal.

A passeata gay de São Paulo, e vou ficar aqui somente nela, leva milhões de pessoas para as ruas. Mas para fazer o que? To até agora sem saber. Esse ano o lamentável episodio do gay negro pisoteado e morto , e a  olhos vistos por câmeras e mais câmeras me fizeram pensar para que a passeata? Levar milhões para a rua para que?

Que minoria é essa ensandecida que não se manifestou frente à morte massacrante daquele negro gay, horrivelmente morto por um traumatismo craniano causado por vários açoites de tênis de uns três ou quatro caras que estavam ali para matar bicha só pelo prazer de matar?

Esse pobre homem  morreu e eu sinceramente esperava que algum bilhão de bichas saísse à rua na indignação que lhes assiste. Mas me parece que a parada só tem sido feita para aumentar o numero de bundas dadas durante um final de semana em São Paulo.  Ou será que pela insistência em ter carnaval em São Paulo finalmente se consegui um final de semana com festa na paulicéia? Então ponhamos na próxima parada um dia para o frevo, outro dia para o axé e no ultimo dia fecharemos para o samba.

O que fazer então? Acabar com a passeata que pediu pelo fim da homofobia em ritmo de musica eletrônica enquanto uma bicha morria com a cabeça esfolada ali, durante a passeata?

Claro que não, senão vão me chamar de reacionário, do Diogo Mainardi do sertão. Mas não uso botas italianas e não sou muito chegado ao PSDB, nem PT, nem P. nenhuma.

Ai vai minha magnanimidade quando proponho a solução para o caso.

Esse final de semana durante o festival de inverno da minha cidade, ao fim da noite, fui visitar um amigo Dj que tocara num tal lugar lounge. Fila para entrar, mas esse meu amigo merece esperar por qualquer fila, mesmo com os pés doendo. Na entrada fui informado por uma bicha maleducada  com cara de palhaço Bozo que estava lotado e que eu deveria ir pra casa. Como sou um rapaz com mais de três sobrenomes, pensei que perderia o melhor da festa proporcionada pelo meu amigo e mesmo assim decidi ir pra casa. Dado as costas, grita a mesma bicha agora me parecendo mais com a Hebe Camargo que mais trinta comandas tinham sido liberadas. Ué? Não estava lotado? Mas fiquei feliz da vida, vejam que ingenuidade, e entrei. Olhei para aquela comanda raríssima, uma pedaço de papel branco que custava dez reais. Eu tinha nove reais no bolso e mais do que nunca precisaria do meu amigo DJ para pagar o um real restante. Dizem que o inferno é algo distante, mas tava logo ali na minha frente. A tal boate funcionava numa casa maladaptada. Acho que a temperatura deveria girar perto dos 87 graus. Bicha não é feito de cera, porque se fosse não estaria mais ninguém ali. Uma grande tupperware  fechada. Era aquilo uma grande panela de pressão. Sem entrada de ar nem saída. Mais hermética que texto de teatro moderno brasileiro.

Puxei pelo ar e não veio. E o som rolante era alguma coisa entre “ eu não sei do que se trata” ou “não sei para que serve isso”.  Clamei por uma água, e pensei no meu um real que tava faltando, e fui a  procura do meu amigo, que rico como ele só, me deu vinte reais. Segui uma corrida desenfreada para a água. Fui informado que lá existiam de dois tipos, com e sem gás. Mas recebi  uma ajuda humanitária de outro conhecido que pediu ao barman (man?) com cara de cansaço de maratona, e me aconselhou a pegar água com gás “é mais chique”. Como à aquela altura  chique era coisa que eu não sabia do que se tratava, me rendi ao novo e pedi água com gás.

Resolvi pagar a conta porque já se passavam mais de dez minutos e dez minutos sem respirar é muita coisa. Ali bati o recorde de apnéia de oxigênio. Senti minhas rugas aumentando e achei que algumas guelras tinhas saindo atrás da minha cabeça. Mas estava tudo escuro, e a fumaça do cigarro não me permitia ver nada.

Paguei e segui meu caminho no deserto mais úmido que puta nova.

Na porta de vidro, a única para entrar e sair, vi de longe o meu Oasis, que era o lado de fora da panela fechada. E tava fechada de verdade. Tentei abrir a porta para sair e a porta tava fechada por um segurança que não deixava entrar( lembram da historia das comandas?) e também não me deixava sair.

-Não pode sair.

-Mas como não posso sair, quero sair oras.

-Não, não pode.

Tortura pouca é bobagem. Fiz força para sair e o tal segurança esquisito com cara de torturador cheirado disse que não. E o tal dono da boate aos berros falava que se eu saísse não entraria. Quem falou que eu queria voltar? Olhar para a cara da tal bicha já foi uma tortura. Acho que nem o dono da Studio 54 estava tão dono da situação mundial quanto aquele sujeito.

Só tenho que agradecer ao meu amigo DJ pelo um real emprestado. E queria que me fosse dado o pior pecado do mundo por ter entrado naquele inferno que nem Dante anteviu.

Mas como não quero perder o fio da meada, falei essa estorinha do tal lobo mal dono de boate-sem-ar-sem-nada-afinal para da a solução final para as próximas paradas gay de São Paulo. Contrata o tal dono da boate, Poe todas as milhares de bichas num local fechado, sem entrada ou sem saída de ar, sem refrigeração, fecha bem fechadinho. Poe trio elétrico. Poe todo mundo pra dançar. Poe todo mundo pra trepar. E vai trepando e dançando até os mais fracos irem morrendo aos poucos, ao fim , por seleção, os mais fortes sobreviverão, e desses indivíduos que sobrevivem a tudo, à falta de ar, inclusive a bicha feia , burra e maleducada, e ponham essa nova linhagem de criaturas excepcionais para governarem o mundo. Um mundo governado por bichas que dançam e trepam ate na ausência do oxigênio, bichas anaeróbicas, seria tudo, não acham? Quero ver bomba atômica derrubar uma bicha dessas.

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 18h44
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           Fui incumbido de uma tarefa árdua, penosa, grande o bastante para tomar espaço de mil luas e difícil o bastante para impregnar meu coração da maior coragem, da maior alegria, da maior satisfação que ele pudera comportar. Esse desafio suplanta até as dificuldades das línguas escrita e falada. Essas duas, muito diferentes por vezes, foram o código que o homem criou para se expressar de uma forma direta ao cérebro e ao coração. Há outras formas, gestuais principalmente, usuais também e que calam à alma, abrandam dores e sufocam amores por vezes também os acalentam. Eu preferiria falar do meu avô Moacir em gestos, em silêncio profundo, pois assim  talvez eu exprima de uma forma mais dimensional, menos codificada.

            Não estarei nessa sua homenagem, não pessoalmente e tenho que lançar mão desse código escrito e restrito como já falei. A homenagem de pôr seu nome na rua que tanto o viu desde sempre é justa e correta. Uma rua curta, meio tortuosa, entremeada por duas praças, numa leve curva, meio Copacabana do sertão mas que sempre foi sua, da  aurora até o lusco- fusco do  final de tarde que para seu estilo de vida, sempre dormindo cedo e acordando mais cedo ainda, já se fazia tarde.

            Eu não sei ao certo quando vovô Moacir se instalou na Santa Cruz, mas já nasci sabendo que lá morava a minha felicidade, canto de Seu Moacir e Dona Bete, naquela casa de frontispício de pedra sabão, com duas colunatas finas, uma pequena varanda, algo que lembrava vagamente o estilo art-decò , mais longa que larga, com um terreiro grande, sem oitão, com um pequeno primeiro jardim com um pé de figo, cisterna imensa que eu nunca podia subir, um grande pé de siriqüela( onde a gente podia tirar tantas  quanto pudéssemos, o território era nosso, sem proibições nem anacronismos e “ruindades” de adultos insalubres), um viveiro imenso onde o via cuidando, quase sempre ao meio dia, da passarada, sol a pino, a pele branca se queimando para logo ali um outro viveiro, bem maior e largo onde de tudo cabia, de cachorro a pombos.

            Aquele mundo era a minha “fantástica fábrica de chocolate”. Era só passar um portão grande de madeira que tínhamos um riacho de água pesadíssima e salgadíssima, onde pegávamos piaba quase todo final de tarde numa técnica difundida entre os netos usando um saco plástico, técnica de pesca manual. Gloria a deus! Àquele tempo não havia computadores, nem internet nem todo o sortilégio devastador. A música era sempre ouvida de radiolas e de rádios AM, era permitido Nelson Gonçalves e Clara Nunes, a televisão já era colorida mas quase sempre os chuviscos só faziam a gente imaginar o que ocorria trás da telas. Não havia mar mas havia barragens e açudes, de águas barentíssimas que nos faziam a alegria.

            Passando o riacho, na verdade um córrego de água salobra chegaríamos a um estreito de terra chamado Pororoca.  Vovô adorava aquele lugar. Eu achava aquilo meio floresta, com seus pés de tamarindo.

            Esse era o nosso mundo, com aquele homem de cabelos brancos (nunca me lembro vovô diferente), sempre cambaleante devidos as agruras da saúde e olhos claros, dissonantes com o clima e com o todo o mais, afinal estávamos na boca do sertão pernambucano. Era ali o Pau Ferro, útero de todos nós.

             Eu não sabia o que era ter a infelicidade das grades de apartamentos nem da violência atual. Nem sabia o que era ter dias de ócio, pois sempre estava no Possidônio ou ali pelo riacho pescando como índio moderno.

            A figura de meu avô sempre foi a sombra dos netos. Ele nunca foi de carinhos e abraços. Seu cuidado era feito de outra forma, adicionado a olhares e a sugestões de ora, por exemplo, andar a cavalo.

            Por isso, acho justíssima essa homenagem, e eu como neto e gestor do seu nome agradeço em nome de todos os outros netos, espalhados pelas lacunas brasileiras.

            Herdei o nome dos meus dois avôs, paterno e materno. Moacir sempre me soou meio meu, meio tão meu que acho que se outra forma não houvesse, se mil vezes tivesse eu nascido, Moacir me acompanharia. Essa foi a primeira justa homenagem a meu avô. Portanto essa que vos fazem de por seu nome à rua, já é outra. Nasci no mesmo dia que ele, ali pelo final de março no primeiro decanato do signo de Áries.

            De vovô além do nome herdei a impaciência, a ansiedade e a franqueza. Nunca vi meu avô titubear com as palavras. Também o tenho como símbolo de justeza e honradez. Desconheço homem mais honesto. Pois bem, a Rua Santa Cruz levará o novo nome, grafado de  Moacir de Albuquerque Barbosa e tenham certeza que gratissimos os céus estarão, porque se faz justa a homenagem a um homem correto quando o mundo é escasso de tal material. Foi dada a um filho de Açurema a homenagem devida. Que esse exemplo se repita com tantos outros que tombaram em solo itaibense e fizeram a historia desse lugarzinho que aos outros parece nada, mas para  nós, que fincamos raízes aqui, parece ter mil Paris de tamanho.

 



Escrito por O dono do blog. às 21h38
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Tudo me é motivo de inspiração para escrever. Tudo que vejo, ouço ou sinto me entra e promove uma revolução nos meus caboclos escrevedores. Não queria que fosse assim porque não ganho nada com isso, perco  tempo necessário e não vejo nada que não seja a gratuitidade do não saber fazer.

Mas vou retomar aqui meu cantinho sentimental. Faz alguns anos que não coloco para fora aquelas cartas e emails que recebo para dentro. Tenho recebido mais cartas que a Xuxa. Sinto-me super importante. Melhor ler carta que lavar roupa como me incentivou o bem aventurado “leitor que não poe o nome” por ser pouco homem  para isso.

Mas recebi uma carta com envelope furta cor que me chamou atenção especial. Vejamos:

 

“Caro Moacir,

Tenho sofrido tanto amor... Não sei por que bicha tem que sofrer tanto. Tenho quarenta e cinco anos e ainda não encontrei meu grande amor. Até encontro, mas eles me cobram caro.

Da trabalho viver nesse patamar de solubilidade, pagar analista, agora também geriatra, usar ácidos, deixar de tomar ácido, começar a fazer a conta de quanto tempo ainda preciso pagar a previdência privada que comecei semana passada porque deixei de fumar faz duas semanas e resolvi investi o que gastava com cigarros na previdência, deixar de me viciar em jogos da loteria só para ver o galeguinho que trabalha lá sexta a tarde, procurar me levantar antes do meio dia do domingo porque já ta meio ridículo ir pra boate gay aos sábados porque é meio chato ver meus amigos de camiseta baby look com lantejoulas apertadinha na barriga crescidinha (Ah , adorei o seu post sobre camisas com números...não lembro quando foi mais foi lindo), porque Cher já não toca mais, fico indignado com as coreografias das bichas novas, não entendo o que é ser uma bicha emo (97,35% da população gay-fazida), não tenho mais cabelo para penteados organizados como o de minha mãe (98,734% da população gay-provocante) . Não falo inglês gay-fluente ( 99,7974% deles aprendem o inglês através das musicas que toca na jovem pan), não sei ler livro de auto ajuda e sempre trepo no primeiro encontro (99,9976578945% não trepam mais no primeiro encontro. Porque? Isso é um assunto que só uma junta de cientistas conseguem descobrir. Talvez uma contaminação do lado cerebral direito feminino no lóbulo  esquerdo gay. Se é para da no segundo, porque não se antecipa o calendário e se da no primeiro?).

Sofro tanto e resolvi te mandar essa carta. Eu existo, pode acreditar, mas não sei ate quando. ”

 

Bom, eu não sei o que mandar de resposta, até porque ele esqueceu de me mandar o endereço para isso.



Escrito por O dono do blog. às 12h55
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O IPI reduzido.

Nos comentários do ultimo post me sugeriram arranjar uma lavagem de roupas. Nem sei o que é isso. Esse meu passado e presente burguês me impedem de levar essa estoria a sério. Não vou ressuscitar  aqui a luta de classes de Marx; Imaginem, nem li o tempo suficiente o tal cientista. Por isso não posso aceitar a sugestão.

Mas eu também tenho das minhas: aproveite para comprar lavadoras automaticas a imposto reduzido.  Lula sabe bem como seduzir. Mas há mais coisas a serem reduzidas, para a felicidade  geral.

Sugiro que seja baixado o imposto da entrada de boates gay. Nada nada livraria as bichas de três ou quatro reais, que ao passo de meses geraria um superávit primário de pelo menos uns vinte reais, que geraria a possibilidade de compra de um livro. Ou quase isso. Para ajudar a completar essa renda extra do tal superávit primário, eu ainda sugeriria a diminuição do IPI dos lubrificantes íntimos. Acho que só com essas duas baixas IPIticas já daria para em um mês gerar renda  e leitura extra.

Isso sim  é sugestão revolucionária. Mandar alguém lavar roupas, não.

 



Escrito por O dono do blog. às 17h45
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Amy?

Demorei porque tava no banheiro fazendo  xixi. Mas não pensem que eu mudei. Continuo o mesmo antes da mijada e continuo sem assuntos legais nem postagens geniais.

Ontem liguei para um amigo que não desejo falar o nome. Ficamos discutindo essa nova revisão do português, essa lingüinha que a gente teima em falar. Por falar nisso, caiu o trema. Que trema é teu?

Passei o carnaval  no Egito. Chovia muito la acho que é exatamente por isso que minha bexiga não para de funcionar. Vou muitas vezes ao banheiro e tenho tido muito pouco tempo para pensar, por isso deixo tudo à águas mornas.

Andam perguntando porque não escrevo mais, onde devo estar. Acho que deveriam perguntar onde a Amy está.

Cade a Amy? Alguém saberia dizer?

Depois do vácuo existencial dos anos oitenta e noventa, e não quero que todos concordem comigo, finalmente chegou alguém para balançar meus tamborins.

Espero que a Madonna morra nesses próximos anos porque eu detestaria ver mais aquela infame camiseta  “Madonna, eu fui”. Fuiiiiiiiiii. A única coisa boa que madona tem feito é ter comido Jesus.

Eu não sei a função do “Fuiiiiiiiiiiiiii” no final dos diálogos contemporâneos. Se você já se  foi para que dizer? As coisas não precisam ser tão obvias como a barriga de Jesus. Por falar em Jesus estive na paixão dos Pachecos por esses dias. Enquanto Murilo Rosa- ops! -jesus sofria massacradamente na cruz, uma mulher fedida gritava : - que pernas do caralho! Tinha mais gente filmando e tirando fotos-flashes que ator falando.

Por isso não perguntem onde estou. Ca estou eu. Perguntem então: cadê a Amy?

 

 

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 19h09
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Não tenho escrito. Não me faltam assuntos. Não me faltam fatos. Não me falta a quem falar mal.

Não sei o que me falta.

Hoje abri a Veja e vi Jarbas Vasconcelos falando mal de tudo, inclusive do PMDB ( o que é isso?). Mandei-lhe uma missiva eletrônica em agradecimento. Gosto de tratar bem aos meus funcionários, principalmente quando eles tem clarividência e falam bem.

Hontem me madaram tomar  gardenal no lugar de barbitúrico. Gardenal não me serve. Pelomenos eu acho.

As vezes sou quase como a letra H . Como escrito em “ontem” acima não fez a menor diferença. Se tira-la não mudaremos a ordem das coisas.

Mas também não é tão assim. Sirvo muito bem pra algumas coisas. Vocês que não vêem isso.

Semana passada me chamaram de louco. Mês passado e nos últimos meses também.

Já to começando a pensar que sim.

Mas a verdade é que minha vida é hipinoticamente convencional. Estudei em colégio de freiras, de uma ordem européia cujo lema é Duc In Atum. Sempre li essa frase em latim pensando no peixe.

Sai do colégio aos dezesseis, passei no primeiro vestibular, me formei com vinte e um, fui um aluno aplicado, quase convencional.

Não falo mais que três línguas, uma delas mal, minha coluna dói, não tenho feito nada de grandioso que possa ser impresso.

Mas não tomo gardenal. Nem sei se me serviria. Não sou exemplo desse tipo de servidão.

Não sou exemplo para nada. Não me façam um Antonio Conselheiro.

Mereço mais respeito que Che Guevara.

Não me lembro qual grande líder tomava gardenal. Gardenal foi usado pela Alemanha nazista para matar criancinhas que não estava no ideal ariano do Führer. Será que querem me exterminar como aos alemãezinhos fofos? Querem me tirar para experiência cientista ate que eu morra?

Façam isso com os coelhinhos.

 

 



Escrito por O dono do blog. às 13h24
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Atorum.

 

Nem Olinda, nem Recife. Esse ano vou pra Salvador, pronto. To seguindo os sinais divinos. Ontem assisti por cinco segundos, cinco divinos segundos, ao vivo o precajú (lindo nome), que é o carnaval fora-de-época( invenção genial, ate os cinco anos eu pensava que carnaval era carnaval e tinha ligações intimas com a quaresma cristâ) de Aracajus. Ontem vi um cartaz lindo. Nele, enquanto chicrete tocava sua gritarra nervosa, lia-se: “chicrete, você faz parte de nós. Sem você a gente morre”. Eu também. Chicretero eu, cricretero ela. Pro chicrete não morrer sou capaz de passar o resto da vida me alimentando de luz, crichete e banana pacovam. Com cricrete você brinca e ainda tem aula de paleontologia com o tiranossauro rex. Brinque.

Hoje abro o Jornal do Commercio e vejo que o abadá (abadei) do nana custa apenas 1800 reais. Pechincha. Para quem não sabe abadá é um pedaço de malha com cor cítrica cheia de pequenas propagandinhas, infinitas, que serve para você adentrar as cordas dos blocos e nana banana é o brocu do chicrete com banana. Acabo de fazer as contas: daria 450 reais por pessoa por dia. Eu já gastei isso em três horas com comida e champagne num restaurante de luxo. De nada serviu, nada ficou, no outro dia tudo virou merda. Abadá é investimento.

Abadá é a mais fina Pop art. Os críticos que hoje derrubam esse tipo de arte ainda se curvarão num futuro recente. O MM de Ny ainda fará uma mostra intensa dessas camisas. Andy Warhol ficará pequeno.

Eu atorum Salvador. Cidadezinha massa. Muito mas massa são os baianos. Atorum aqueles personagens. Inevitavelmente maravilhados com a própria condição, maleducados na essência, malandros e atores da máxima globaliana de que bom mesmo é ser baiano, isso sim faz a diferença.

Agora, te segura Renato L. , mas quero gritar. Fechem os ouvidos. Quero Ivete Cantagalo como Ministra da Cultura e assuntos sobrenaturais e de ziriguidin e de balacubacu! Atorum a Ivete. Que mulher elegante, letrada e educada, e alem de tudo tem pernas grossas, assim como ela. Vamos mostrar pro mundo o que a gente tem de melhor. E Ivetinha, não fique com inveja da Madonna. Aquilo era a Joelma. Tudo intriga da oposição. O maracanã é nosso. Gentem, porque não nasci baiano? Tenho minha baianidade nagô correndo nas veias. Atorum.

Se estão fazendo do Recife e de Olinda uma Salvador, porque não beber da fonte logo? Já não suporto maracatu de branco de classe media de boa viagem. É muita viagem até pra mim. Tenho que desligar vou correndo comprar minha passagem. Vou chegar um dia antes e sair um dia depois.



Escrito por O dono do blog. às 14h23
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Quero te conhecer por dentro.

 

Nada no mundo moderno me choca mais do que o falso moralismo. Aceito bomba de Israel, aceito leite contaminado matando criancinha na China, aceito padre viado falando que ser viado não pode, aceito uísque falso, amor falso, mas aceitar o moralismo quadrado, esse é como veneno ruim de descer.

Vejo um movimento besta que invade as academias sexuais, etc e tal. Adoro a palavra etc, e tava comentando com um amigo esse findi ( também adoro essa palavra) sobre a sua elasticidade. Não a elasticidade desse meu amigo, que não deve estar boa, mas da palavra. Eteceteraetal. Acho lindo. Mas isso é assunto pra outro post.

Vamos falar agora desse povito que teima com o discurso de que: “não dou, só outro dia”. “Vai ter que dá, vai ter que dá”.

“Não, quero te conhecer por dentro primeiro.”

Caros amigos, bom mesmo é conhecer por fora. Ai não se erra. Não existe possibilidade de erro. É aquilo e pronto.

Conhecer alguém por dentro realmente é uma tarefa pouco sólida. Dá medo das possibilidades infindas de erro, de como a areia mole poder desestruturar o alicerce da casa. Nem tudo que parece é. Isso quando tu me mete um “ quero te conhecer por dentro”. Já quando tu me mete um “ quero te conhecer por fora”, é aquilo e aquilo mesmo.

Não quero ser sexólogo. Sou do tempo que Marta Suplicy dava aulas ao vivo na Tv mulher sobre como as mulheres poderiam gozar mais alto e mais intensivamente. Fico meio deprimido quando me lembro disso. Naquele tempo camisinha era artigo de festa de rico, e sexóloga não queria virar presidente da republica.

Por isso meu conselho é claro. Vá na pele primeiro, principalmente se ela estiver descoberta de roupa e perfumadinha e depois pense no papo. No dentro.

E se alguém algum dia continuar com o papo nefasto de “quero te conhecer por dentro e quero construir uma historia legal”, ao primeiro dia, ao primeiro contato, você, por obra da divina comédia, vire-se, revire-se e assustado, caro leitor, diga : - Não!



Escrito por O dono do blog. às 11h15
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MyVibe.

 

Last train to london.

 

Se eu fosse você não leria esse texto ate o final. Vai ser entediante. Como tem sido. Não tenho pressa, não preciso ter pressa. Os contadores zeraram. Depois da atribulada balada e do reveiom das mundiças letradas, vim aqui para falar daquilo que mal falo. Tenho dificuldade de falar daquilo que transcende. Acredito que há os homens da ciência e os homens da fé. Estive na primeira categoria sempre, iluminado pela fisiologia, anatomia e patologia. E outras coisas nas quais a gente acaba acreditando pelo ato palpável do entendimento. Colocamos a parte no todo sempre. Metonímia? Esquecemos do grande mistério, da grande força, daquilo que não se explica pela ciência. Há que se ter uma exemplo firme do quão etéreo é a vida, do quanto ela é breve. Viver é uma fatalidade. Esquecemos disso todo dia santo e não santo. To tentando me lembrar disso. Bobagem não acreditar numa força superior. Tentei não pensar nisso, tentar não entender nada. Não gosto de altares, de rezas, de liturgias, de catequeses, de palavras ao vento, de imagens (só aquelas que andam e falam e não tem tatuagem de estrela no ombro). Mas queridos, hoje não da pra falar que somos dizimamente e indiscutivelmente pequenos antes aquilo que rege vidas e domina o ponteiro das horas. A bala enfiada no banco do meu carro me proporcionou uma clara reflexão pela vida, mais especificamente por minha vida e detí o contratexto de que nenhum problema é maior quando existe uma problema verdadeiramente grande . A mesma idéia de Neruda, acho que ele, que afirmara que devemos nos preocupar com os problemas reais, os virtuais deixemos no liquidificador de lixo existencial. Adoraria que todos passassem por uma situação extrema. Tudo fica melhor. A água do mar, o sexo, o sorvete de cupuaçu, a alma, o tédio, as horas. Portanto não esqueçamos da parte do todo; rezemos, oremos, agradeçamos seja em qualquer palco ou praça, façamos isso todo dia, em nome do que transcende a intelectualidade e em nome do que manda no trilho do trem das horas.



Escrito por O dono do blog. às 21h21
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“Lutei uma vida inteira para não morar em Londres."

Preferi ficar longe do palco esses dias. Metade dos dias fiquei longe por insistência minha. Coisa pessoal, adendo intimo. A outra metade fiquei porque quase me tiraram do palco. Recebi a dois dias do ano novo , numa tentativa de assalto, uma bala que está a mim a mesma distancia que eu queria estar de vocês, posto alguns centímetros. No banco do meu carro. Reverberou por dentro dele enquanto eu telefonava na beira de uma estrada a caminho do meu Recife, e a caminho de Patacho,ali pelas Alagoas, paraíso igual não há. Tenho muitas considerações a serem ditas. A única que me importa é que voltei aqui porque Mozart, meu único leitor que vale uma visita, me pediu isso despudoradamente. Porque pelos outros tais, aqueles que vejo e os que não vejo, talvez não valem a imperícia das letras malescritas. Pois bem, levar uma balada não é comum, não moro no Rio nem na faixa de Gaza. Mas ando perto disso. Levar uma balada me pôs de frente comigo. Pensei em morrer aqui pelos trinta e dois. Muita coisa deixaria de ser vista. Muita coisa deixaria de ser compartilhada. A reflexão é necessária porque o ato extremo, minha morte eminente, me pôs de pés em um templo cristão. Meti meu pudor de lado e agradeci no palco de Pedro a continuação do filme, do meu filme pessoal quando dois caras numa moto queriam o contrário. Mas queria falar do reveiom da mundiça escarapitanda e intelectualizada. Mundiça é sempre perigoso, e se elas leram Joyce, o perigo se torna maior. Para quem não é nordestino o termo mundiça pode parecer estranho. Nem sei como isso se traduziria para o inglês, mas digamos que mundiça seja um grupo de pessoas que não nasceram para o cerimonial da boa vizinhança e para o convívio social. Mundiça do olho pelado é um subtipo muito comum, mas não quero me deter no cerne antropológico-sociológico da sessão. Li Joyce, mas minha educação passou pela beira do que ali ví. Luto exaustivamente para não cair no falso moderno. Lutei uma vida inteira para quebrar paradigmas diretos e fazer com que meu discurso seja mais ou menos parecido com o que pratico. Meu reveiom foi uma foto em branco e preto inglesa. Houve uma parte verdadeira, impermeabilizada pela cor que ocorreu ate meados da meia noite. Protagonizou-se ali a verdadeira amizade articulada por pessoas como Seu João Junior. Com esse iria até o fim do mundo. Ou com Talbert, iria até o fim do mundo e daria uma volta para compras, mesmo que isso demorasse a eternidade. Com Kleber seria diferente, iria até o fim do mundo e ficaria dando voltas alucinadas até o trem resolver parar. Pediria isso por celular. Sempre ele. Com Hilton daria uma volta ao fim do mundo e pararia num bar. Se eu conseguisse tirar Domicio da cama eu daria uma volta com ele até o fim do mundo e seria ótimo. Com Chica eu ate daria uma volta ao mundo, conquanto que ela me deixasse falar e achasse que festa chata com paulista de branco e biju igual seu sotaque, falando inglês numa praia nordestina não é coisa para matuto como eu. Todos mundiças. Da melhor qualidade. Não precisei investigar o assunto a fundo. Mas a parte falsa não conseguiu se impermeabilizar. Os flashes não deixaram. Não tive duvidas. Peguei meu cavalo, arriei a sela e me pus a caminho de outros prados do mesmo lugar. Pela rota da auto estrada estreitíssima vi um bando de casas em todo perímetro. Tudo era tão curto, a estrada , que a impressão que me deu era que eu fazia parte daquela festa e entrava na casa de todos mesmo dentro do carro. Subi aos céus. Pude ver a real alegria de um povo sofrido. Que mesmo tendo sucumbido a pobreza material e sem nunca pensar um dia ir a Londres para escutar algo Drum&bass. O som era horrível, cada qual com os eu , mas que maravilha aquilo! Proponho a volta ao homem selvagem, desprovido de toda mascara social, de todo luxo, de toda falsa jóia. Proponho o homem selvagem naquele local inspirador, sem pocar de fogos. Proponho a volta a esse homem primário, até porque é desse que a gente gosta.

 



Escrito por O dono do blog. às 20h28
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Vocês nunca viram nada igual: como comemoração dos dois anos do meu blog, eu lhes presentearei com dois textos. E acho que serão dois dos melhores, pois nada melhor que fazer nessa vida que falar mal da vida alheia. Eu me sinto muito bem cumprindo essa função. E nada melhor que falar minhas verdades que são na maioria das vezes absolutas. Simples assim.

 

Medo das cacacuias.

 

Tive um final de semana maravilhoso, como é sempre os finais de semana ao lado dos amigos no calor do Recife. Sábado acordei como se tivesse bebido a mais (?) e segui para o shopping (claro) com meu amigo Domicio ( claro). Não sou consumista, mas há sempre alguma coisa a  ser comprada.

Comprei e sai correndo para almoçar. Comer é minha segunda mania. A primeira vocês já sabem, se não sabem não vou contar. Comemos e nos resfastejamos  numa churrascaria . Eu posso.

Ainda.

Como estávamos à beira mar de Boa Viagem resolvi fazer a siesta ali mesmo, lá pelas bandas da praia do Nelsinho. Indo à Boa Viagem não deixe de conhecer esse território à parte. Para poucos. Lá a água é mais molhada, a areia não lhe prega nas dobras e você fica imediatamente inteligente. To precisando ficar mais inteligente.

Deu, de repente, uma vontade de dançar samba. Eu e Domicio adoramos sambar. O sambão é legal e fica na rua dos artistas. Para lá fomos.

 Falando em samba, adoro esse ultimo Cd da filha de Elis. Ela cantando "não deixe os samba morrer" é de não deixar morrer mesmo. Como é o nome dela mesmo? Da filha de Elis , aquela que Nelsinho Motta tanto produz?

Mas não nos deixaram sambar.

Nos sentamos embaixo de uma árvore e fomos atacados por um bando de cacacuias perfumadas e plumadas.

Cacacuias são um espécime cada vez mais freqüentes em lugares. São do gênero masculino e tem pelagem que nunca se repete. Cada cacacuia, apesar de querer ser a outra cacacuia, usa e tem pelagem diferente, como se fossem as nossas Iris e digitais. Cada um tem a sua e juntas elas formam um projeto de inferno.

Elas não interagem, vivem no seu próprio mundo. Há diversas explicações pra isso, mas a minha verdade absoluta me diz que a pelagem blinda elas do mundo real, o que é perigosíssimo porque elas acabam se permitindo exagerar na plumagem, principalmente a da cabeça e da calda e da naquilo que a gente conhece: nem lindas mas fofas e burras. Cacacuia que se prese não bebe, não fuma e não trepa. Ela se basta.

Eu e Domicio não sabíamos das cacauias. Faz muito tempo que não saio para zoológicos, e aquilo me assustou.

Se eu estivesse na década de oitenta, na minha infância, eu mataria algumas cacacuias daquelas. Muita coisa na década de oitenta era melhor que nos selvagens atuais. Até as cacauias eram inteligentes, trepavam e tomavam algo melhor que coca-cola light.

 

 

Trofeu Tabaca de ouro.

 

Na década de oitenta existia na Radio Jornal de Pernambuco um troféu disputadíssimo  pelas moçoilas do lugar. Era o troféu tabaca de ouro. Ele acontecia uma vez por ano no auditório da referida radio. Se você não é uma cacacuia, deve ser interessante falar que essa foi a primeira radio do Brasil. Segundo Anco, que não é cacacuia.

Uma amiga minha ganhou esse troféu por doze vezes seguidas. Eu não fui autorizado a falar o nome dela, ate recebi ameaça de processo, então vou chamá-la de Linda Slanovish.

Eu me sinto orgulhosíssimo em ser amigo de Linda Slanovish. Se eu tivesse tabaca eu seria certamente a ganhadora de tal troféu  e não deixaria pra ninguém.  E abriria uma tabacaria.

Ganhava mais quem dava mais. É assim que funcionava esse premio. Era um tempo distante, de uma economia não tão atrelada ao dólar, onde camisinha era artigo de luxo, onde a pílula servia  e éramos mais felizes.

Sugiro a gente reorganizar o  premio. Eu posso oferecer minha casa se por acaso não quiserem liberar espaço para tal . Quais seriam os critérios para as candidatas?

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 21h21
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O meu procto-touch.

 

Querido diário.

Muitas coisas a gente não pode confessar, até para não torná-las publicas. Ainda bem que tenho a você querido blog, esse diário intimo pessoal.

Preciso te contar uma. Por esses dias precisei passar pelo proctologista. Foi minha primeira vez. Cousa estranha. Como estranho é escrever  "cousa". Mas essa é minha homenagem a Machado.  Ler Machado é como ir ao proctologista, uma tarefa única.

Salvo tudo, eis o diálogo, queridíssimo diário:

Ele , o proctologista: Suba na maca. Tire calça e cueca e fique de quatro. Não precisa tirar a blusa.

Eu, o paciente suando em bica: --------------

Ele o proctologista: Vou te examinar.

Eu, o paciente ainda suando: ---------------

Ele, o proctologista:  Relaxe e faça força.

Eu, o paciente:  ?

Ele o proctologista: ----------------

Pequeno barulho metálico.

Eu,o paciente pensando: Meu Deus, um especulo?

Ele, o proctologista: ----------------

Eu o paciente, pensando e pensando e suando: Meu deus, é um especulo.

Ele, o proctologista: Aqui tudo normal.

Eu, o paciente:  ?

Ele, o proctologista: Vire.

Eu, o paciente obediente e pensando: viro sim.

Ele o proctologista: tudo normal aqui.

Eu, o paciente feliz: Ah, ta.

 

Só não soube saber qual musica tocava no radiozinho.

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 21h15
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O talento Brasileiro.

 

Eu acho o Brasil um pais legal, tenho que achar moro nele. Acho muito mais legal o talento brasileiro. Me lembrei, quase nestante, de uma campanha  que falava do Brasil pra os brasileiros ou coisa parecida.

Nunca vi povo tão talentoso.

Ontem eu e minha Irmâ saímos em horas diferentes. Ela no carro dela e eu no meu carro. Para mesmo lugar, os dois e em carros diferentes. Como todo bom brasileiro. Petróleo e dinheiro sobrando e ai o pulmão do mundo pra limpar nossa sujeira depois.

Lá pelas tantas da alta madrugada, cheguei alguns minutos antes dela. Guardei meu carro antes que o dela, e, por conseguinte, ela após o meu na mesma garagem como fazemos de quando em vez.

De manhã o carro dela amanheceu sem o som e seus alto-falantes, alto-falantes esses que agora falo, onde vocês me ouvem. Adoro autofalar.

Pois bem. Lá se viu o mais puro talento brasileiro. Amor de brasileiro por brasileiro.

Brasileiro é assim, entra sem pedir licença. Não sei quantos foram nossos amigos chamados à garagem nessa madrugada, mas isso não vem ao caso, a hospitalidade brasileira é reconhecidamente a melhor do mundo.

Deixamos eles em paz na garagem. Com precisão cirúrgica - brasileiro tem uma alta e reconhecida habilidade manual- nosso amigos queimaram um plástico que da acesso à bateria do carro que por conseguinte alimenta o alarme do carro. Vejam como o talento brasileiro também está na astucia e na inteligência: coma a mão de cirurgião ( muitos dos melhores cirurgiões são brasileiros, os melhores no trato com as laminas e os fios de sutura) abriram um plástico com algo quente, desligaram a bateria ou desplugaram-na,  tudo isso no escuro crepuscular da madrugada fria da minha  cidade , o fio da buzina do alarme, entraram no carro sem arranhar nada, eu falei sem nenhum arranhão ou peça quebrada senão as que já falei, vejam que  delicadeza, e levaram o cd player e, sabendo  sei la como - vai ai outro talento brasileiro, o de adivinhar as coisas sem fazer estudos, sem precisar de mapas, sem precisar de mecanismos tecnológicos nem coisas afins, porque genialidade é isso,fazer as coisas sem ter os meios, e isso o brasileiro tem, vamos combinar. E saíram assim, sem serem notados, como deve ser qualquer pessoa de família.

 

 



Escrito por O dono do blog. às 21h14
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