Assuntos sobremodos

 

Não estive por aqui por falta de assuntos; assuntos não me faltam. Estou para os assuntos assim como os temas estão para carnavalescos de escolas de samba. Demorei não porque não tive assuntos. Demorei porque os assuntos foram tantos que não os pude organizar. Foi um baticum total. Um barulho ensurdecedor. Mas eis-me aqui.

Minha Irmã restaurou alguns filmes familiares em VHS que datam de vinte anos. Algo tosco. Ninguém com 13 anos e uma câmera na mão consegue fazer alguma coisa que não seja tosca. Nem  Stanley Kubrick.  Eu beirava os treze e com uma câmera novinha na mão, isso nos anos oitenta ainda não fugi à regra. Mas  torcendo para  que essas copias não caiam na desgraça chamada Youtube. Senão todos vão me ouvir cantar Habanera  c-o-m-p-l-e-t-i-n-h-a numa rede, sem desafinar , com uma potencia vocal absurda, um castratti com ovo, mas sem falar uma palavra em Frances.

Uns dezoito anos depois tive uma experiência única com essa língua. Num domingo de carnaval  pela manha, tive minha primeira aula de Frances com o professor e maestro Hilton Lacerda.

- Bon Jour, ça va?

-Ça va bien.

Acho que algumas pessoas não deveriam morrer. Geraldão  que morreu assassinado semana passada é um exemplo disso. Geraldão é meu alter ego e nunca deveria ter morrido. Hilton também jamais deveria morrer. Hilton é meu ego pós moderno.

Vou dormir porque consegui reunir nessa postagem muita coisa que me consumiu de dezembro até hoje: a falta de assunto e os assuntos em demasia, cópias restauradas em VHS  que temo cair na net, Geraldão que me abandonou, Hilton que teima em me abandonar e o medo de aprender Frances e ficar com ruguinhas na boca. Chego aos trinta e quanto sem nenhuma ruga e muito filtro solar. Muito mais assuntos para se comentar e muito pouca ruga para se chorar.

 



Escrito por O dono do blog. às 00h09
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