De Arte.

 

Pensei dias atrás escrever alguma coisa sobre a Arte. Obviamente não quero colocar aqui a coisa acadêmica do conceito. Isso vocês poderão encontrar facilmente em compêndios e na aula de Anco Marcio na Universidade Federal de Pernambuco.

Na atribulação da vida moderna precisamos de uma saída, tirar o pé do chão, como gostam de mandar os cantores de axés. Acho que a arte serve para isso. Nos da o éter necessário para esquecermos de nós mesmos ou pensarmos em nós mesmos. A Arte leva ao pensamento, ao desprezo, à dor, à angustia mesmo que você não queira. A Arte entra sem pedir, é totalmente indisciplinada. Uma mulher de atitude e difícil de ser domada, porque escolhe em que deve estar.

Fazer Arte não é para todos. E nem insistam, ela não entra mesmo que você a chame.

Bom ver a Arte trabalhando. Ela é quem comanda, nunca  é comandada. Ninguém vive de arte , ela é que vive de você. Ela comanda porque foi feita para lembrar que o humano é tão somente humano sem ela.

Não importa de que  cepa seja a Arte, se plástica, se musicista, se nas letras, ela tem o mesmo comportamento, e acredito que seja uma das poucas coisas indestrutíveis. Você acaba com o meio, mas nunca com a essência do meio. Quebre um quadro de Monet, mas nunca poderá quebrar sua genialidade.

A Arte é tão pavorosamente desafiadora e poderosa que entra até naqueles que não tem a sensibilidade para entendê-la. Não se iluda: a Arte domina sua vida.

Bom ver a Arte manifesta. Ela baixa feito caboclo, acho eu. Vi isso milhões de vezes. Vi isso hoje quando assiti à “ Por um fio em Lâ”, do senhor Juan Guimarães. A arte deixa o pequeno grande, o grande maior ainda, o vencível invencível e o doloroso quase penosamente mais doloroso.

Juan me levou com sua dança para outro lado, me jogou, me sacudiu daquela cadeira incomoda  para lá e para cá, me levou à idade média, me fez pensar  e me fez parar de pensar, me deixou mudo e me fez falar mais do que falo . Me puxou os cabelos, as narinas, me esfaqueou e novamente tirou o ar dos meus pulmões , tudo isso a alguns metros de mim. Mas não foi ele que me fez isso, a Arte faz isso sem que nem a gente perceba. Ela tomou aquele corpo sem uma grama de gordura e o fez um Golias. Naqueles instantes percebi que a Arte pode até matar e é capaz de a gente não perceber a morte, porque a Arte é a melhor droga que existe.

E não há hora, nem local ou idade. No mesmo espetáculo, subia do corpo-golias de Juan o vapor do suor do seu esforço. De uma criança atrás de mim ouvi:" - É suor não mãe, é a alma dele”. E essa criança insistiu nessa historia de que era a alma do bailarino que saia naquele momento do corpo.

E claro que a criança estava certa. A mãe com seu pragmatismo barato, achou que aquilo era a condensação do suor no corpo pelo frio. Pobre mãe. Aquilo era a alma de Juan que ora saia do seu corpo aos poucos e nos visitava. Nem ele percebia.

Por que a Arte faz isso, nos tira e nos poe a alma, como que para mostrar que quem manda na gente e no mundo é ela.

 

 



Escrito por O dono do blog. às 23h13
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Eu sou bonzinho e magnânimo. Quando não mostro o problema e a solução, mostro a cobra e o pau para matar a cobra.

Estou surpreso com a comunidade gay que tem a capacidade de se organizar como uma minoria irritantemente constituída para ser minoria sem ser minoria, ao contrario dos judeus que são minoritariamente minoria e por saberem disso se organizam como tal.

A passeata gay de São Paulo, e vou ficar aqui somente nela, leva milhões de pessoas para as ruas. Mas para fazer o que? To até agora sem saber. Esse ano o lamentável episodio do gay negro pisoteado e morto , e a  olhos vistos por câmeras e mais câmeras me fizeram pensar para que a passeata? Levar milhões para a rua para que?

Que minoria é essa ensandecida que não se manifestou frente à morte massacrante daquele negro gay, horrivelmente morto por um traumatismo craniano causado por vários açoites de tênis de uns três ou quatro caras que estavam ali para matar bicha só pelo prazer de matar?

Esse pobre homem  morreu e eu sinceramente esperava que algum bilhão de bichas saísse à rua na indignação que lhes assiste. Mas me parece que a parada só tem sido feita para aumentar o numero de bundas dadas durante um final de semana em São Paulo.  Ou será que pela insistência em ter carnaval em São Paulo finalmente se consegui um final de semana com festa na paulicéia? Então ponhamos na próxima parada um dia para o frevo, outro dia para o axé e no ultimo dia fecharemos para o samba.

O que fazer então? Acabar com a passeata que pediu pelo fim da homofobia em ritmo de musica eletrônica enquanto uma bicha morria com a cabeça esfolada ali, durante a passeata?

Claro que não, senão vão me chamar de reacionário, do Diogo Mainardi do sertão. Mas não uso botas italianas e não sou muito chegado ao PSDB, nem PT, nem P. nenhuma.

Ai vai minha magnanimidade quando proponho a solução para o caso.

Esse final de semana durante o festival de inverno da minha cidade, ao fim da noite, fui visitar um amigo Dj que tocara num tal lugar lounge. Fila para entrar, mas esse meu amigo merece esperar por qualquer fila, mesmo com os pés doendo. Na entrada fui informado por uma bicha maleducada  com cara de palhaço Bozo que estava lotado e que eu deveria ir pra casa. Como sou um rapaz com mais de três sobrenomes, pensei que perderia o melhor da festa proporcionada pelo meu amigo e mesmo assim decidi ir pra casa. Dado as costas, grita a mesma bicha agora me parecendo mais com a Hebe Camargo que mais trinta comandas tinham sido liberadas. Ué? Não estava lotado? Mas fiquei feliz da vida, vejam que ingenuidade, e entrei. Olhei para aquela comanda raríssima, uma pedaço de papel branco que custava dez reais. Eu tinha nove reais no bolso e mais do que nunca precisaria do meu amigo DJ para pagar o um real restante. Dizem que o inferno é algo distante, mas tava logo ali na minha frente. A tal boate funcionava numa casa maladaptada. Acho que a temperatura deveria girar perto dos 87 graus. Bicha não é feito de cera, porque se fosse não estaria mais ninguém ali. Uma grande tupperware  fechada. Era aquilo uma grande panela de pressão. Sem entrada de ar nem saída. Mais hermética que texto de teatro moderno brasileiro.

Puxei pelo ar e não veio. E o som rolante era alguma coisa entre “ eu não sei do que se trata” ou “não sei para que serve isso”.  Clamei por uma água, e pensei no meu um real que tava faltando, e fui a  procura do meu amigo, que rico como ele só, me deu vinte reais. Segui uma corrida desenfreada para a água. Fui informado que lá existiam de dois tipos, com e sem gás. Mas recebi  uma ajuda humanitária de outro conhecido que pediu ao barman (man?) com cara de cansaço de maratona, e me aconselhou a pegar água com gás “é mais chique”. Como à aquela altura  chique era coisa que eu não sabia do que se tratava, me rendi ao novo e pedi água com gás.

Resolvi pagar a conta porque já se passavam mais de dez minutos e dez minutos sem respirar é muita coisa. Ali bati o recorde de apnéia de oxigênio. Senti minhas rugas aumentando e achei que algumas guelras tinhas saindo atrás da minha cabeça. Mas estava tudo escuro, e a fumaça do cigarro não me permitia ver nada.

Paguei e segui meu caminho no deserto mais úmido que puta nova.

Na porta de vidro, a única para entrar e sair, vi de longe o meu Oasis, que era o lado de fora da panela fechada. E tava fechada de verdade. Tentei abrir a porta para sair e a porta tava fechada por um segurança que não deixava entrar( lembram da historia das comandas?) e também não me deixava sair.

-Não pode sair.

-Mas como não posso sair, quero sair oras.

-Não, não pode.

Tortura pouca é bobagem. Fiz força para sair e o tal segurança esquisito com cara de torturador cheirado disse que não. E o tal dono da boate aos berros falava que se eu saísse não entraria. Quem falou que eu queria voltar? Olhar para a cara da tal bicha já foi uma tortura. Acho que nem o dono da Studio 54 estava tão dono da situação mundial quanto aquele sujeito.

Só tenho que agradecer ao meu amigo DJ pelo um real emprestado. E queria que me fosse dado o pior pecado do mundo por ter entrado naquele inferno que nem Dante anteviu.

Mas como não quero perder o fio da meada, falei essa estorinha do tal lobo mal dono de boate-sem-ar-sem-nada-afinal para da a solução final para as próximas paradas gay de São Paulo. Contrata o tal dono da boate, Poe todas as milhares de bichas num local fechado, sem entrada ou sem saída de ar, sem refrigeração, fecha bem fechadinho. Poe trio elétrico. Poe todo mundo pra dançar. Poe todo mundo pra trepar. E vai trepando e dançando até os mais fracos irem morrendo aos poucos, ao fim , por seleção, os mais fortes sobreviverão, e desses indivíduos que sobrevivem a tudo, à falta de ar, inclusive a bicha feia , burra e maleducada, e ponham essa nova linhagem de criaturas excepcionais para governarem o mundo. Um mundo governado por bichas que dançam e trepam ate na ausência do oxigênio, bichas anaeróbicas, seria tudo, não acham? Quero ver bomba atômica derrubar uma bicha dessas.

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 18h44
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