Vocês nunca viram nada igual: como comemoração dos dois anos do meu blog, eu lhes presentearei com dois textos. E acho que serão dois dos melhores, pois nada melhor que fazer nessa vida que falar mal da vida alheia. Eu me sinto muito bem cumprindo essa função. E nada melhor que falar minhas verdades que são na maioria das vezes absolutas. Simples assim.
Medo das cacacuias.
Tive um final de semana maravilhoso, como é sempre os finais de semana ao lado dos amigos no calor do Recife. Sábado acordei como se tivesse bebido a mais (?) e segui para o shopping (claro) com meu amigo Domicio ( claro). Não sou consumista, mas há sempre alguma coisa a ser comprada.
Comprei e sai correndo para almoçar. Comer é minha segunda mania. A primeira vocês já sabem, se não sabem não vou contar. Comemos e nos resfastejamos numa churrascaria . Eu posso.
Ainda.
Como estávamos à beira mar de Boa Viagem resolvi fazer a siesta ali mesmo, lá pelas bandas da praia do Nelsinho. Indo à Boa Viagem não deixe de conhecer esse território à parte. Para poucos. Lá a água é mais molhada, a areia não lhe prega nas dobras e você fica imediatamente inteligente. To precisando ficar mais inteligente.
Deu, de repente, uma vontade de dançar samba. Eu e Domicio adoramos sambar. O sambão é legal e fica na rua dos artistas. Para lá fomos.
Falando em samba, adoro esse ultimo Cd da filha de Elis. Ela cantando "não deixe os samba morrer" é de não deixar morrer mesmo. Como é o nome dela mesmo? Da filha de Elis , aquela que Nelsinho Motta tanto produz?
Mas não nos deixaram sambar.
Nos sentamos embaixo de uma árvore e fomos atacados por um bando de cacacuias perfumadas e plumadas.
Cacacuias são um espécime cada vez mais freqüentes em lugares. São do gênero masculino e tem pelagem que nunca se repete. Cada cacacuia, apesar de querer ser a outra cacacuia, usa e tem pelagem diferente, como se fossem as nossas Iris e digitais. Cada um tem a sua e juntas elas formam um projeto de inferno.
Elas não interagem, vivem no seu próprio mundo. Há diversas explicações pra isso, mas a minha verdade absoluta me diz que a pelagem blinda elas do mundo real, o que é perigosíssimo porque elas acabam se permitindo exagerar na plumagem, principalmente a da cabeça e da calda e da naquilo que a gente conhece: nem lindas mas fofas e burras. Cacacuia que se prese não bebe, não fuma e não trepa. Ela se basta.
Eu e Domicio não sabíamos das cacauias. Faz muito tempo que não saio para zoológicos, e aquilo me assustou.
Se eu estivesse na década de oitenta, na minha infância, eu mataria algumas cacacuias daquelas. Muita coisa na década de oitenta era melhor que nos selvagens atuais. Até as cacauias eram inteligentes, trepavam e tomavam algo melhor que coca-cola light.
Trofeu Tabaca de ouro.
Na década de oitenta existia na Radio Jornal de Pernambuco um troféu disputadíssimo pelas moçoilas do lugar. Era o troféu tabaca de ouro. Ele acontecia uma vez por ano no auditório da referida radio. Se você não é uma cacacuia, deve ser interessante falar que essa foi a primeira radio do Brasil. Segundo Anco, que não é cacacuia.
Uma amiga minha ganhou esse troféu por doze vezes seguidas. Eu não fui autorizado a falar o nome dela, ate recebi ameaça de processo, então vou chamá-la de Linda Slanovish.
Eu me sinto orgulhosíssimo em ser amigo de Linda Slanovish. Se eu tivesse tabaca eu seria certamente a ganhadora de tal troféu e não deixaria pra ninguém. E abriria uma tabacaria.
Ganhava mais quem dava mais. É assim que funcionava esse premio. Era um tempo distante, de uma economia não tão atrelada ao dólar, onde camisinha era artigo de luxo, onde a pílula servia e éramos mais felizes.
Sugiro a gente reorganizar o premio. Eu posso oferecer minha casa se por acaso não quiserem liberar espaço para tal . Quais seriam os critérios para as candidatas?
Escrito por O dono do blog. às 21h21
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