Fico meio longe das letras mas volto a elas para poder me lembrar de outras coisas que não da para diagramar. Sinto falta da bodega do Massilon. Como me faz falta aquele lugar e como alguns lugares nos fazem falta mais que outros. Gostava da rua simples e mítica, os sobrados mal lavados e mal pintados. Dos tipos sem tipo e cheios dos tipos, da cachaça ruim, da cachaça quase ruim e doce, do pé na parede da calçada, de Sérgio e dos assuntos de Sérgio e das vezes sem assunto com Sérgio, das pessoas pretensiosas mesmo parecendo sem serem, e das pessoas de preto com cigarro no bico. Do queijo, do queijo. Penso nas mesas de madeira, onde as conversas ficavam nas brechas embaixo dos restos de comida. Beiradas de madeiras com cheiro de coversas nas frestas, as mais mil. Muitas minhas estão lá, agora impregnadas no arenoso chão do velho azulejo. Caídas provavelmente no pretume do silencio sem pessoas. Que falta me faz Massilon, com suas boas musicas, com suas musicas ruins, com seu regionalismo universal. Que eu possa voltar em Massilon, não no éter do meu saudosismo agora, mas para estar lá de quando em vez enfiando conversas desconexas nas frestas da madeira das mesas, velhas mesas e frestas com comida de outros.
Escrito por O dono do blog. às 00h55
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Helena, a mulher a perigo. Bastou uma simples conversa com um amigo paciente para eu me animar a escrever. O tema da aula de hoje é sobre as mulheres com útero ardente. Esse mês já fui atacado por duas.Não vou falar aqui o tipo de ataque, porque foi daqueles que só submarino conseguem contra atacar. Por pouco não recebi um torpedo, direto e mortal. Não sei qual a santa padroeira das mulheres lascivas a beira de um ataque, mas ela deve tá em período sabático. Há mais mulheres desaloucadas e loucas para atacar seu macho que gente normal no mundo. Isso há. Já me disseram que não entendo de mulher. Mas quem diabos entende? que bicho é esse que anda com a cabeça onde só a cabeça do homem antes estava? Vou chamar o porta aviões que me atacou de Helena, um codinome, como a de Troia. Guerreiros salvai-vos dessa senhoras tresloucadas. Essa tinha mais que seus cinqüenta anos de uso e guerra. Senhoras, atentai bem! Segurem-se, contenham-se, postura! A guerra vai continuar sempre, guardem seus torpedos para as outras batalhas.
Escrito por O dono do blog. às 14h37
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Voltamos. Qual um bom tema pra voltar a escrever nesse blog? essa foi a minha pergunta matinal, e desde cedo me corrói feito bicho na madeira. É preciso ter uma grande tema para se poder escrever? é necessário grandes acontecimentos? se isso for, tive vários. Uma das melhores cantoras dos últimos tempos e da última semana também resolveu morrer, meu avô resolveu morrer. E acho que ando escrevendo diferente. A uns tempos atrás eu jamais poria tantas interrogações em um começo de um texto. Mas a gente nunca é o mesmo com o contar dos ponteiros do relógio. Ou quase nunca. Piorei a escrita , portanto. Mas escrever é meio como a gente, antes piora para depois melhorar. Eu e essa minha sina escrevitória. Uma vez com ela, ela se impregna e não sai. Tento me livrar mas nada consigo. Resolvi assumir a minha missão, ou mais uma missão: escrever. Não faço outra coisa mesmo melhor que isso. Embora quase nunca goste do que escrevo. Escrever para mim sempre foi um encosto. Mas não no sentido daquilo que pesa. Nunca me pesa, mas não consigo me livrar. Nasceu comigo e morrerá assim também. Vem-me de comichão. Fiquei pensando se não é uma forma de eu chamar atenção do mundo. Atualmente chamar atenção é uma coisa dificílima, o que mais existe é isso. Quero voltar a povoar esse blog com coisas como sempre fiz, boas ou ruins, são as minhas coisas. Fazendo isso me sinto mais cheio, quase pleno. Essa minha sina escrevitória vai vir mais leve, sem pretensões, menos ainda do que já tive. Que venha então. E ele continuará assim , seco, somente com a alma das palavras, sem figurinhas, coisa melhor não há. Que venha.
Escrito por O dono do blog. às 00h40
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Para os ingleses de Plantão.
Desculpe, mas hoje to com o cão no couro. Essa é para aqueles e aquelas que teimam em falar só em inglês, quando falam muito bem o português para pessoas que entendem bem o português. Deveriam se envergonhar. Amo minha língua apesar de me ser herdada e aprendi a cultivar isso. Sei falar espanhol e inglês, mas só uso nas necessidades. Ninguém toma remédio sem estar doente. Eu poderia enumerar quatrocentas mil razões para que você que fala português tenha orgulho disso. Mas deixo aqui só uma. Uma musica que é um alento para alma, e um manjar para a língua. Desconheço idioma que consiga produzir alguma coisa nesse nível de intuição, fantasia e lágrima.
"Minha vida era um palco iluminado Eu vivia vestido de dourado Palhaço das perdidas ilusões Cheio dos guizos falsos da alegria Andei cantando a minha fantasia Entre as palmas febris dos corações Meu barracão no morro do Salgueiro Tinha o cantar alegre de um viveiro Foste a sonoridade que acabou E hoje, quando do sol, a claridade Forra o meu barracão, sinto saudade Da mulher pomba-rola que voou Nossas roupas comuns dependuradas Na corda, qual bandeiras agitadas Pareciam estranho festival! Festa dos nossos trapos coloridos A mostrar que nos morros mal vestidos É sempre feriado nacional A porta do barraco era sem trinco Mas a lua, furando o nosso zinco Salpicava de estrelas nosso chão Tu pisavas os astros, distraída, Sem saber que a ventura desta vida É a cabrocha, o luar e o violão."
Chão de Estrelas
Composição: Sílvio Caldas / Orestes Barbosa.
Escrito por O dono do blog. às 11h16
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Eu e São Paulo.
Nota minha no Facebook no dia do aniversário da cidade: Não sei porque gosto de São Paulo. Acho que gosto de SP porque ninguém me da bola lá. Gosto de SP porque todo mundo me dá muita bola lá. Gosto de lá porque nunca me sinto só quando eu não quero ficar só, e gosto de lá quando quero ficar só, eu e meus oculos, e só lá eu consigo isso. Gosto de lá porque lá sou quase ninguém e as vezes sou muita coisa no aperto do metrô. Gosto de lá porque as pessoas ainda estranham meu sotque carregado ao mesmo tempo que estranho o sotaque deles. Gosto de lá porque conheço gente legal e tenho amigos mais que legais. E é lá que mora Paty, Claudinha, Kiko, Mariana, Luciana e Flora e Hilton porque quem morro de amores.
Escrito por O dono do blog. às 11h07
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Um telefonema de Paris. Há duas horas atrás recebi um telefonema e era de Paris. E era Michelson que eu achei que estava em alguma missão religiosa na áfrica. Ou até mesmo morrido, porque morrer ás vezes é bom. Mas ele é bom e sendo bom e vívido preferiu a Paris. Não vejo ou ouço ou sinto Michelson por vários anos. Michelson guardou meu telefone debaixo da algibeira por mais de três anos. Ele sabe a serventia que tem guardar meu telefone de casa que não muda nunca para si. Isso mostra que ele tem gosto; mudou-se para Paris e tem meu telefone guardado no lado esquerdo do peito, aquele que tem a maior temperatura. Michelson falou muito mal do parisiense. Eu falo mal de todo mundo. Mas resolvi me calar por vários dias. Não escrevi aqui a séculos de meses e Michelson veio me reclamar de modo que, por Michelson e para Michelson, escrevo essa minha milionésima missiva eletrônica. Devem estar esperando grande coisa de escrita, porque já que passei muito tempo sem escrever devo ter eu pensando em alguma coisa realmente digna de clivo e leitura, algo que mude o mundo. Aqui nada terei dito hoje que não tenha falado ontem: mudo o mundo mais com fala do que com escrita. Pelomenos o meu mundo. Michelson deve esta dormindo agora sob o céu de Paris. Eu vou dormir sob o meu céu que tem mais estrelas do que o dele.
Escrito por O dono do blog. às 21h22
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A simplicidade. Saí para uma cerveja habitual, o simples ato semanal. Com um amigo, nada mais simples que isso. Fomos interpelado por um rapaz que afirmou que meu amigo estava simplíssimo, se referindo à roupa e ao simples que é algo chique. Devo confessar que meu amigo estava na medida, com uma blusa de cor discreta, uma calça jeans que não se erra e uma sandália verão de couro. Inveja. Eu, por outro lado estava com um casaquinho de tecido sintético com ursinhos psicodélicos que se repetiam aos montes e das mais variadas formas, mas simplicimamente em tons branco e preto. O cara que adora simplicidade estava a pelo menos três dias sem tomar banho. Simplicidade também é isso. Usava um pircing que varava seu músculo orbicular do lábio inferior. Seu cabelo era tão grande quanto destratado e sujo. Fiquei conjecturando filosofias sobre o que as pessoas acham da simplicidade e o quanto ela é importante para nós. Para aquele cara com cara de Jesus moribundo a simplicidade está nas roupas. E a soberba também. Não acho simplicidade necessária em quase nada. Money, success, fame and glamour: o ser humano nasceu para isso e não há nada de simples nisso. A simplicidade esta também ai. Portanto deixemos a simplicidade de lado, cousa muito diferente de humildade que também não faz bem a ninguém. Tenho tanta coisa pra falar... crise no oriente, a possível crise na Hungria, minhas dores, mas não to afim e o frio me restringe. Simplicidade é muito mais que roupa. Simplicidade é atitude. Simples foi a meia hora e o café que tomei com Talbert dia desses. Meia hora de arrependimento porque não parei o tempo ali e fiquei rindo e vendo o simples tecido daquela calça linda de um costume que meu amigo usava, combinadíssimo com uma blusa Pólo propositalmente branca e por fora, com um tênis casual que só quem adora a simplicidade glamurosa saberia usar. Money, success, fame and glamour, anote em letras de neon giratórias em uma tatoo no meio de sua testa. Simples assim.
Escrito por O dono do blog. às 13h44
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Eu e os modernos pernambucanos. Moderno é moderno em qualquer parte do mundo. São todos iguais embora queiram parecer um tanto diferentes. Mas moderno pernambucano quer parecer muito mais diferente que qualquer moderno. Tenho muito medo dos modernos de Pernambuco, muito mais que com os do PT. Os modernos pernambucanos querem mudar o mundo, e de uma forma que só eles acreditam . Não posso falar que formula é essa ate porque não sou um moderno pernambucano. Os modernos pernambucanos querem fazer uma ponte do mangue do Recife ate o mangue de uma planeta habitável a anos luz daqui. Modernos pernambucanos não suportam muita gente não-moderna-pernambucana. Essa ponte sairá do mangue recifense e partirá rumo às estrelas partindo o céu do Recife. Para essa viagem poucos serão chamados. É incerto quantos vão sobreviver. Nem mesmo eles sabem das agruras dessa viagem, mas como todo bom moderno pernambucano, há sempre que se acreditar que se sabe de tudo, mesmo sem se saber. Moderno pernambucano é quase uma confraria, onde poucos são chamados a entrar e muito poucos se atrevem a ficar. Deve ser duro ser moderno pernambucano. Não há data para a tal viagem. Ninguém sabe. Há um certo clima de conspiração no ar, todos os dias. Não se sabe que tipo de nave os levará. Não se sabe de quase nada e quase muito pouca coisa se é dita e se é comungada entre eles; um verdadeiro moderno pernambucano se rivaliza sempre com outro moderno pernambucano. Mas fico aqui, com minha luneta cósmica tentando ver o inicio e o fim de tal viagem, já que entender, o que é mesmo bom, já desisti desde que troquei meu binóculo antigo por essa luneta transcósmica aqui na minha frente. Será que ela vai conseguir alcançá-los?
Escrito por O dono do blog. às 19h32
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Eu e os homens. O homem não vive sem se indagar. Perguntas sem ou com respostas movem o mundo. Hoje mudei o Box do meu banheiro. Por isso fiquei pensando como ficaram se perguntando os dois rapazes sobre o motivo de um rapaz com muito pouco cabelo cultivar o habito de possuir dezenas de xampus. Devem ter ido para casa arrependidos de terem entrado ali. A curiosidade move o mundo e deve ter bulido com aqueles dois homens, pobres homens. Sem a curiosidade cientifica nada muda, nada transcende. Eles foram embora para casa sem me perguntar o que aconteceria se eu tivesse apenas um xampu. O silencio sem transgressão interrompeu um ótimo diálogo: - Ola, senhor, seu Box já esta montado. Poderia lhe perguntar uma coisa se não for perturbador demais? - O que é isso, podem me perguntar, sou todo ouvidos ( e bocas)... - Porque tantos xampus se só tens uma cabeça? -Realmente não me sinto dono de uma só cabeça. E em algumas delas tenho muito cabelo, daí a necessidade de uma quantidade maior de xampus. Muitos e multiplos.. -Ah, entendi. -Querem uma água, um café? -Não muito obrigado. -Obrigado a vocês.
Escrito por O dono do blog. às 18h35
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Assuntos sobremodos
Não estive por aqui por falta de assuntos; assuntos não me faltam. Estou para os assuntos assim como os temas estão para carnavalescos de escolas de samba. Demorei não porque não tive assuntos. Demorei porque os assuntos foram tantos que não os pude organizar. Foi um baticum total. Um barulho ensurdecedor. Mas eis-me aqui. Minha Irmã restaurou alguns filmes familiares em VHS que datam de vinte anos. Algo tosco. Ninguém com 13 anos e uma câmera na mão consegue fazer alguma coisa que não seja tosca. Nem Stanley Kubrick. Eu beirava os treze e com uma câmera novinha na mão, isso nos anos oitenta ainda não fugi à regra. Mas torcendo para que essas copias não caiam na desgraça chamada Youtube. Senão todos vão me ouvir cantar Habanera c-o-m-p-l-e-t-i-n-h-a numa rede, sem desafinar , com uma potencia vocal absurda, um castratti com ovo, mas sem falar uma palavra em Frances. Uns dezoito anos depois tive uma experiência única com essa língua. Num domingo de carnaval pela manha, tive minha primeira aula de Frances com o professor e maestro Hilton Lacerda. - Bon Jour, ça va? -Ça va bien. Acho que algumas pessoas não deveriam morrer. Geraldão que morreu assassinado semana passada é um exemplo disso. Geraldão é meu alter ego e nunca deveria ter morrido. Hilton também jamais deveria morrer. Hilton é meu ego pós moderno. Vou dormir porque consegui reunir nessa postagem muita coisa que me consumiu de dezembro até hoje: a falta de assunto e os assuntos em demasia, cópias restauradas em VHS que temo cair na net, Geraldão que me abandonou, Hilton que teima em me abandonar e o medo de aprender Frances e ficar com ruguinhas na boca. Chego aos trinta e quanto sem nenhuma ruga e muito filtro solar. Muito mais assuntos para se comentar e muito pouca ruga para se chorar.
Escrito por O dono do blog. às 00h09
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O homem desimpaciente. Passei meus dias sem acreditar no futuro dos homens. Passei a acreditar mais nos meus cremes do que nos homens. Até me chegar às mãos , pelas mãos do próprio autor, um exemplar de “ Adultérios, Biombos e Demônios” do professor e por sorte minha, amigo, Anco Márcio Tenório Vieira. Não acreditar nos homens no país que vivo é tarefa fácil. Levo muito pouca gente a sério nesse paiol de sacanagens exponenciais, tomada de valores que não seriam os mais sérios ate pouco tempo atrás e do culto à burrice e do mal gosto. Anco me devolveu a esperança de dias melhores. Ele é daqueles homens desimpacientes, dos que não se estagnam na própria condição, um daqueles homens que podem mudar o eixo da terra com seus pensamentos. Anco não passa seus dias sentado na comodidade da cadeira acadêmica repassando pensamentos passados e já vistos. Anco veio para desestabilizar com base na sua ampla leitura o modo de pensar os fatos a partir de fatos já analisados; seu olho consegue ir aonde ninguém foi, mesmo todo mundo já estando alguma vez la. Me explicaria melhor se eu pudesse transcrever aqui alguns artigos desse seu ultimo livro, que na verdade é uma reunião de teses, ensaios e pareceres conduzidos em um par de anos e transcritos em periódicos e jornais nacionais. Alguns capítulos trazem a veia profunda analítica de quem sabe o que diz, e o modo de analisar os fatos que pode mudar o próprio modo como o mundo ver aquele fato ate então. Antes eu gostava de Anco porque ficava hospedado na casa dele. Hoje gosto dele porque ele se mostra um dos poucos que podem pensar o mundo de uma forma que pode mudar o próprio mundo.Comprar e ler o livro de Anco é uma ótima forma de começar o ano com esperanças.
Escrito por O dono do blog. às 22h28
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Final de ano e a saudade de escrever. Saudade dos amigos e grandes amigos. Pouca esperança e quase sempre as mesmas vontades. Mas o ano novo vem ai, como sempre vem e quase sempre as mesmas coisas. Mas passar é bom , viver é melhor. Saudade de passar aqui nesse meu blog, que é meu e sempre será. Não sou o mesmo, quase sempre não sou. Não sei escrever mais, perdi a habilidade dos dedos. Só aprendi a falar mais e mal, mas quase sempre fui assim. Passo meus dias como que andando em águas, acredito cada vez mais no que acreditei. Acredito cada vez menos nos homens, e acredito cada vez mais nos meus cremes. Um creme bem empregado muitas vezes vale mais que dez homens . Poucos homens valem o seu nascimento. Poucas vidas valem a pena serem vividas. A minha me cabe muito bem, como sapato confortável. Nesse ano que a gente teima em chamar de novo que todos tentem valer a casa da mãe, um bom creme, a verdade dos novos amigos, e aí tá o sorriso e a comida de Marta, as aulas de pilates e o aperto de mão e a palavra dada dos poucos homens que restam.
Escrito por O dono do blog. às 22h37
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Gordura pega. É isso mesmo, gordura se transmite feito vírus. Cheguei a essa conclusão depois de uma grande observação qualitativa desde que entrei no Pilates em janeiro; Desde que comecei aumentei cinco quilos. Meu professor tem mais do que cinco quilos pra me dá. Acho que ele me contaminou e por isso engordei. O grande problema do mundo não é a magreza. O grande problema efetivamente é a gordura. Sou um homem da saúde mas evito ao máximo falar de saúde aqui porque acredito que saúde é muito chato para ser falado. Eu adoro gente magra e acho que o mundo seria mais feliz se todo mundo comesse e não engordasse. Não vejo problema algum naquelas modelos macérrimas. Acho tudo lindo e cool. Prefiro que elas morram magras e rápido a morrer gordas e a conta-gotas. Gordos do mundo uni-vos! Os magros não sambem do que sofremos. Portanto chego a minha conclusão cientifica que gordura pega. Preciso saber ainda a distancia de segurança para não ser contaminado por um gordo. Isso demanda muito tempo de investigação, mas posso dizer que convivência a menos de um metro, como eu e meu professor de pilates , eleva a possibilidade de acumulo de gordura em alguns dígitos. Se despeça da gordura e fique longe de quem a tem, porque muito mais perigoso do que o vírus da gripe pandêmica atual é alguém com excesso de gordura do teu lado, porque para se livrar disso nem lavando as mãos.
Escrito por O dono do blog. às 19h42
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De Arte. Pensei dias atrás escrever alguma coisa sobre a Arte. Obviamente não quero colocar aqui a coisa acadêmica do conceito. Isso vocês poderão encontrar facilmente em compêndios e na aula de Anco Marcio na Universidade Federal de Pernambuco. Na atribulação da vida moderna precisamos de uma saída, tirar o pé do chão, como gostam de mandar os cantores de axés. Acho que a arte serve para isso. Nos da o éter necessário para esquecermos de nós mesmos ou pensarmos em nós mesmos. A Arte leva ao pensamento, ao desprezo, à dor, à angustia mesmo que você não queira. A Arte entra sem pedir, é totalmente indisciplinada. Uma mulher de atitude e difícil de ser domada, porque escolhe em que deve estar. Fazer Arte não é para todos. E nem insistam, ela não entra mesmo que você a chame. Bom ver a Arte trabalhando. Ela é quem comanda, nunca é comandada. Ninguém vive de arte , ela é que vive de você. Ela comanda porque foi feita para lembrar que o humano é tão somente humano sem ela. Não importa de que cepa seja a Arte, se plástica, se musicista, se nas letras, ela tem o mesmo comportamento, e acredito que seja uma das poucas coisas indestrutíveis. Você acaba com o meio, mas nunca com a essência do meio. Quebre um quadro de Monet, mas nunca poderá quebrar sua genialidade. A Arte é tão pavorosamente desafiadora e poderosa que entra até naqueles que não tem a sensibilidade para entendê-la. Não se iluda: a Arte domina sua vida. Bom ver a Arte manifesta. Ela baixa feito caboclo, acho eu. Vi isso milhões de vezes. Vi isso hoje quando assiti à “ Por um fio em Lâ”, do senhor Juan Guimarães. A arte deixa o pequeno grande, o grande maior ainda, o vencível invencível e o doloroso quase penosamente mais doloroso. Juan me levou com sua dança para outro lado, me jogou, me sacudiu daquela cadeira incomoda para lá e para cá, me levou à idade média, me fez pensar e me fez parar de pensar, me deixou mudo e me fez falar mais do que falo . Me puxou os cabelos, as narinas, me esfaqueou e novamente tirou o ar dos meus pulmões , tudo isso a alguns metros de mim. Mas não foi ele que me fez isso, a Arte faz isso sem que nem a gente perceba. Ela tomou aquele corpo sem uma grama de gordura e o fez um Golias. Naqueles instantes percebi que a Arte pode até matar e é capaz de a gente não perceber a morte, porque a Arte é a melhor droga que existe. E não há hora, nem local ou idade. No mesmo espetáculo, subia do corpo-golias de Juan o vapor do suor do seu esforço. De uma criança atrás de mim ouvi:" - É suor não mãe, é a alma dele”. E essa criança insistiu nessa historia de que era a alma do bailarino que saia naquele momento do corpo. E claro que a criança estava certa. A mãe com seu pragmatismo barato, achou que aquilo era a condensação do suor no corpo pelo frio. Pobre mãe. Aquilo era a alma de Juan que ora saia do seu corpo aos poucos e nos visitava. Nem ele percebia. Por que a Arte faz isso, nos tira e nos poe a alma, como que para mostrar que quem manda na gente e no mundo é ela.
Escrito por O dono do blog. às 23h13
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Eu sou bonzinho e magnânimo. Quando não mostro o problema e a solução, mostro a cobra e o pau para matar a cobra. Estou surpreso com a comunidade gay que tem a capacidade de se organizar como uma minoria irritantemente constituída para ser minoria sem ser minoria, ao contrario dos judeus que são minoritariamente minoria e por saberem disso se organizam como tal. A passeata gay de São Paulo, e vou ficar aqui somente nela, leva milhões de pessoas para as ruas. Mas para fazer o que? To até agora sem saber. Esse ano o lamentável episodio do gay negro pisoteado e morto , e a olhos vistos por câmeras e mais câmeras me fizeram pensar para que a passeata? Levar milhões para a rua para que? Que minoria é essa ensandecida que não se manifestou frente à morte massacrante daquele negro gay, horrivelmente morto por um traumatismo craniano causado por vários açoites de tênis de uns três ou quatro caras que estavam ali para matar bicha só pelo prazer de matar? Esse pobre homem morreu e eu sinceramente esperava que algum bilhão de bichas saísse à rua na indignação que lhes assiste. Mas me parece que a parada só tem sido feita para aumentar o numero de bundas dadas durante um final de semana em São Paulo. Ou será que pela insistência em ter carnaval em São Paulo finalmente se consegui um final de semana com festa na paulicéia? Então ponhamos na próxima parada um dia para o frevo, outro dia para o axé e no ultimo dia fecharemos para o samba. O que fazer então? Acabar com a passeata que pediu pelo fim da homofobia em ritmo de musica eletrônica enquanto uma bicha morria com a cabeça esfolada ali, durante a passeata? Claro que não, senão vão me chamar de reacionário, do Diogo Mainardi do sertão. Mas não uso botas italianas e não sou muito chegado ao PSDB, nem PT, nem P. nenhuma. Ai vai minha magnanimidade quando proponho a solução para o caso. Esse final de semana durante o festival de inverno da minha cidade, ao fim da noite, fui visitar um amigo Dj que tocara num tal lugar lounge. Fila para entrar, mas esse meu amigo merece esperar por qualquer fila, mesmo com os pés doendo. Na entrada fui informado por uma bicha maleducada com cara de palhaço Bozo que estava lotado e que eu deveria ir pra casa. Como sou um rapaz com mais de três sobrenomes, pensei que perderia o melhor da festa proporcionada pelo meu amigo e mesmo assim decidi ir pra casa. Dado as costas, grita a mesma bicha agora me parecendo mais com a Hebe Camargo que mais trinta comandas tinham sido liberadas. Ué? Não estava lotado? Mas fiquei feliz da vida, vejam que ingenuidade, e entrei. Olhei para aquela comanda raríssima, uma pedaço de papel branco que custava dez reais. Eu tinha nove reais no bolso e mais do que nunca precisaria do meu amigo DJ para pagar o um real restante. Dizem que o inferno é algo distante, mas tava logo ali na minha frente. A tal boate funcionava numa casa maladaptada. Acho que a temperatura deveria girar perto dos 87 graus. Bicha não é feito de cera, porque se fosse não estaria mais ninguém ali. Uma grande tupperware fechada. Era aquilo uma grande panela de pressão. Sem entrada de ar nem saída. Mais hermética que texto de teatro moderno brasileiro. Puxei pelo ar e não veio. E o som rolante era alguma coisa entre “ eu não sei do que se trata” ou “não sei para que serve isso”. Clamei por uma água, e pensei no meu um real que tava faltando, e fui a procura do meu amigo, que rico como ele só, me deu vinte reais. Segui uma corrida desenfreada para a água. Fui informado que lá existiam de dois tipos, com e sem gás. Mas recebi uma ajuda humanitária de outro conhecido que pediu ao barman (man?) com cara de cansaço de maratona, e me aconselhou a pegar água com gás “é mais chique”. Como à aquela altura chique era coisa que eu não sabia do que se tratava, me rendi ao novo e pedi água com gás. Resolvi pagar a conta porque já se passavam mais de dez minutos e dez minutos sem respirar é muita coisa. Ali bati o recorde de apnéia de oxigênio. Senti minhas rugas aumentando e achei que algumas guelras tinhas saindo atrás da minha cabeça. Mas estava tudo escuro, e a fumaça do cigarro não me permitia ver nada. Paguei e segui meu caminho no deserto mais úmido que puta nova. Na porta de vidro, a única para entrar e sair, vi de longe o meu Oasis, que era o lado de fora da panela fechada. E tava fechada de verdade. Tentei abrir a porta para sair e a porta tava fechada por um segurança que não deixava entrar( lembram da historia das comandas?) e também não me deixava sair. -Não pode sair. -Mas como não posso sair, quero sair oras. -Não, não pode. Tortura pouca é bobagem. Fiz força para sair e o tal segurança esquisito com cara de torturador cheirado disse que não. E o tal dono da boate aos berros falava que se eu saísse não entraria. Quem falou que eu queria voltar? Olhar para a cara da tal bicha já foi uma tortura. Acho que nem o dono da Studio 54 estava tão dono da situação mundial quanto aquele sujeito. Só tenho que agradecer ao meu amigo DJ pelo um real emprestado. E queria que me fosse dado o pior pecado do mundo por ter entrado naquele inferno que nem Dante anteviu. Mas como não quero perder o fio da meada, falei essa estorinha do tal lobo mal dono de boate-sem-ar-sem-nada-afinal para da a solução final para as próximas paradas gay de São Paulo. Contrata o tal dono da boate, Poe todas as milhares de bichas num local fechado, sem entrada ou sem saída de ar, sem refrigeração, fecha bem fechadinho. Poe trio elétrico. Poe todo mundo pra dançar. Poe todo mundo pra trepar. E vai trepando e dançando até os mais fracos irem morrendo aos poucos, ao fim , por seleção, os mais fortes sobreviverão, e desses indivíduos que sobrevivem a tudo, à falta de ar, inclusive a bicha feia , burra e maleducada, e ponham essa nova linhagem de criaturas excepcionais para governarem o mundo. Um mundo governado por bichas que dançam e trepam ate na ausência do oxigênio, bichas anaeróbicas, seria tudo, não acham? Quero ver bomba atômica derrubar uma bicha dessas.
Escrito por O dono do blog. às 18h44
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