Como quando uma escola de samba entra na avenida, casando tempo e lugar. Foi assim quando cheguei pra assistir a Tatuagem. O bafo quente do capibaribe ali de frente ao cine Sao Luiz, o vucocuco do centro do Recife, a rua da Aurora. 
Meu tempo era aquele naquele dia, e o lugar era o mais lindo. Tatuagem tem haver com quase tudo aquilo, um cinema recifence com
cara de teatro, com roupa de puta velha que um dia ja foi rica, que não rói nem com cupim, feito madeira boa. Político, é antes de tudo um filme de amor, o amor possível. 
Feito trator varreu com um aforismo do cu, com uma música chiclete que colou nos meus ouvidos, a caretice do cinema nacional, feito a vassoura de janio quadros, com
os olhos verdes de Jesuita Barbosa. 
Tudo no seu tempo, tudo no devido lugar. Pra ficar na história, como tudo que é grande.

 20 de janeiro, 2014



Escrito por O dono do blog. às 17h03
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Eu nasci escritor e a gente não pede pra nascer escritor. A gente apenas nasce escritor.
Eu não estou dizendo que sou bom escritor. Eu não sei se nasci bom escritor.
Ai semana passada recebo um email dizendo que me exponho muito no facebook por tudo que escrevo.
Tardei em responder ao email , e ja repondo por aqui.
Um escritor nasce com um tanque interno repleto da alma. Como qualquer pessoa. Com o tempo, e diferentemente das outras pessoas, com as páginas escritas um pouco de alma vai sendo depositada, escorrega pela torneira do tanque, no papel ou onde quer que seja ,letra a letra, pingo a pingo.
Escritor que não se expõe não é escritor porque cada coisa escrita tem um pouco da gente, um pouco da alma da gente. 
Implícita ou explicitamente.
Mesmo sendo um escritor sem livro, sendo um quase palestino das letras.
A gente não domina isso, a gente nasce pra isso e pronto.
Ponto.
Portanto cada coisa que escrevo, onde quer que eu escreva, vai ser sempre um pouco de mim, uma pequena exposição de mim.

Março, 2014



Escrito por O dono do blog. às 16h59
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Tenho ido a todos os festivais de inverno. Desde o primeiro, pequeníssimo. Mesmo quando morava fora, pegava uma avião , ansioso e vinha. Sempre valeu cada quilômetro rodado. Acho que essa época é a melhor na minha cidade. A luz muda. A cidade se veste de uma outra forma.
Com os anos minha tolerância diminuiu muito pra chuva, fina, garoa pura, que sempre da seu ar da graça. E aumentou muito em relação aos recifense que chegam de cachecol e sandálias havaianas. E das bichas recifenses com cachecol, sem sandálias havaianas e casacos emprestados e com cara de que entende a peça hermética que ta sendo exibida no único teatro da cidade, mesmo que as costas doam naqueles infames bancos de madeira. Mas acho que tudo faz parte da festa. Sou cristão e entendo todos eles.
Esse ano estarei de braços abertos de novo. Pelos mesmos motivos e com a mesma vontade. E abrindo um vinho de vez em quando, celebrando a cidade mais linda do interior do nordeste.
 



Escrito por O dono do blog. às 16h51
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Ainda de férias e com tempo para pensar. As premissas do velho continente me aluviaram ou desaluviaram? Vendo e lendo os fatos cotidianos aqui do Brasil, assim que voltei me tiraram o pano do éter; índios pedindo genocídio por lhe faltarem o respeito e a terra, aterrorizante. A corte maior do pais numa novela onde se procura julgar homens da política e político que roubaram a sua nação. Roubos e roubos e assassinatos e roubos.

Me pergunto porque não temos aquela qualidade de vida do inglês? o que nos faltou e ainda falta que não nos permite aquilo tudo?

Não venho aqui com o deslumbre neo-parnazianista de quem volta de lá como que nada aqui prestasse. Mas quase nada funciona mesmo, e torna-se a quase nada funcionar , cada dia funcionado menos ainda.

Procurei um delito de lixo em toda Londres nos cinco dias que por lá passei. Perguntei-me não ser possível uma coisa daquelas, nem um copo plástico no chão, o chão das ruas mais limpo do que o chão de casa, desde as ruas principais ate as vicinais¿ como poder um ajuste de conduta onde quase nunca um rouba o outro, onde o metrô e o trem não atrasam e quando se atrasa um minuto ouve-se sonoros “realy sorry!”.

Eu não quero  uma outra pátria, até porque meu nome é em tupy, mas não poderíamos ter algo melhor para nós mesmos, um certo orgulho de sermos respeitosos conosco?

Hoje resolvi encarar a dura realidade nacional num tratado de como ver isso mais de perto: visitar Caruaru. Passei seis dias em Paris como puramente senhor dos meus pés, pedestre inveterado a ponto de fazer-me bolhas. E vi uma cidade voltada pros caminhantes. Em Caruaru e aqui em Garanhuns as calçadas são tomadas por carros. Impossível andar sem que não precisemos ir pra rua.

Não me venham falar desse tal orgulho nacional, que agora estamos ricos, que o mundo agora nos aceitam. Pode ate ser, na medida em que estamos muito mais ricos do que sempre fomos. Mas onde estamos colocando isso, como estamos aproveitando isso que nos fora dado? os ingleses bem souberam, roubando ou não, bem souberam e estão usufruindo os produtos da pilhagem mundial. Mas pelomenos esses se voltam para o próprio welfare state. Estão cuidando deles mesmos.

Coisas a serem pensadas.

 

 



Escrito por O dono do blog. às 23h30
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Fico meio longe das letras mas volto a elas para poder me lembrar de outras coisas que não da para diagramar.

Sinto falta da bodega do Massilon. Como me faz falta aquele  lugar e como alguns lugares nos fazem falta mais que outros.

Gostava da rua simples e mítica, os sobrados mal lavados e mal pintados. Dos tipos sem tipo e cheios dos tipos, da cachaça ruim,  da cachaça quase ruim e  doce, do pé na parede da calçada, de Sérgio e dos assuntos de Sérgio e das vezes sem assunto com Sérgio, das pessoas pretensiosas mesmo parecendo sem serem, e das pessoas de preto com cigarro no bico. Do queijo, do queijo.

Penso nas mesas de madeira, onde as conversas ficavam nas brechas embaixo dos restos de comida. Beiradas de madeiras com cheiro de coversas nas frestas, as mais mil. Muitas minhas estão lá, agora impregnadas no arenoso chão do velho azulejo. Caídas provavelmente no pretume do silencio sem pessoas.

Que falta me faz Massilon, com suas boas musicas, com suas musicas ruins, com seu regionalismo universal.

Que eu possa voltar em Massilon, não no éter do  meu saudosismo agora, mas para estar lá de quando em vez enfiando conversas desconexas nas frestas da madeira das mesas, velhas mesas e frestas com comida de outros.


 



Escrito por O dono do blog. às 00h55
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Helena, a mulher a perigo.

 

Bastou uma simples conversa com um amigo paciente para eu me animar a escrever. O tema da aula de hoje é sobre as mulheres com útero ardente. Esse mês já fui atacado por duas.Não vou falar aqui o tipo de ataque, porque foi daqueles que só submarino conseguem contra atacar. Por pouco não recebi um torpedo, direto e mortal.

Não sei qual a santa padroeira das mulheres lascivas a beira de um ataque, mas ela deve tá em período sabático. Há mais mulheres desaloucadas e loucas para atacar seu macho que gente normal no mundo. Isso há.

Já me disseram que não entendo de mulher. Mas quem diabos entende? que bicho é esse que anda com a cabeça onde só a cabeça do homem antes estava?

Vou chamar o porta aviões que me atacou de Helena, um codinome, como a de Troia.  Guerreiros salvai-vos dessa senhoras tresloucadas. Essa tinha mais que seus cinqüenta anos de uso e guerra.

Senhoras, atentai bem! Segurem-se, contenham-se, postura! A guerra vai continuar sempre, guardem seus torpedos para as outras batalhas.

 

 


 

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 14h37
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Voltamos.

 

Qual um bom tema pra voltar a escrever nesse blog? essa foi a minha pergunta matinal, e desde cedo me corrói feito bicho na  madeira. É preciso ter uma grande tema para se poder escrever? é necessário grandes acontecimentos? se isso for, tive vários.  Uma das melhores cantoras dos últimos tempos e da última semana também resolveu morrer, meu avô resolveu morrer.  E acho que ando escrevendo diferente.  A uns tempos atrás eu jamais poria tantas interrogações em um começo de um texto.  Mas a gente nunca é o mesmo com o contar dos ponteiros do relógio. Ou quase nunca. Piorei a escrita , portanto. Mas escrever é meio como a gente, antes piora para depois melhorar.

Eu e essa minha sina escrevitória. Uma vez com ela, ela se impregna e não sai. Tento me livrar mas nada consigo. Resolvi assumir a minha missão, ou mais uma missão: escrever.  Não faço outra coisa mesmo melhor que isso. Embora quase nunca goste do que escrevo. Escrever para mim sempre foi um encosto. Mas não no sentido daquilo que pesa. Nunca me pesa, mas não consigo me livrar. Nasceu comigo e morrerá assim também. Vem-me de comichão. Fiquei pensando se não é uma forma de eu chamar atenção do mundo. Atualmente chamar atenção  é uma coisa dificílima,  o que mais existe é isso.

Quero voltar a povoar esse blog com coisas como sempre fiz, boas ou ruins, são as minhas coisas.  Fazendo isso me sinto mais cheio, quase pleno. Essa minha sina escrevitória vai vir mais leve, sem pretensões, menos ainda do que já tive. Que venha então.

E ele continuará assim , seco, somente com a alma das palavras, sem figurinhas, coisa melhor não há. Que venha.

 



Escrito por O dono do blog. às 00h40
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Para os ingleses de Plantão.

 

Desculpe, mas hoje to com o cão no couro.

Essa é para aqueles e aquelas que teimam em falar só em inglês, quando falam muito bem o português para pessoas que entendem bem o português.

Deveriam se envergonhar.

Amo minha língua apesar de me ser herdada e aprendi a cultivar isso. Sei falar espanhol e inglês, mas só uso nas necessidades. Ninguém toma remédio sem estar doente.

Eu poderia enumerar quatrocentas mil razões para que você que fala português tenha orgulho disso. Mas deixo aqui só uma. Uma musica que é um alento para alma, e um manjar para a língua.

Desconheço idioma que consiga produzir alguma coisa nesse nível de intuição, fantasia e lágrima.

 


"Minha vida era um palco iluminado

 Eu vivia vestido de dourado

 Palhaço das perdidas ilusões

 Cheio dos guizos falsos da alegria

 Andei cantando a minha fantasia

 Entre as palmas febris dos corações

 Meu barracão no morro do Salgueiro

 Tinha o cantar alegre de um viveiro

 Foste a sonoridade que acabou

 E hoje, quando do sol, a claridade

 Forra o meu barracão, sinto saudade

 Da mulher pomba-rola que voou

 Nossas roupas comuns dependuradas

 Na corda, qual bandeiras agitadas

 Pareciam estranho festival!

 Festa dos nossos trapos coloridos

 A mostrar que nos morros mal vestidos

 É sempre feriado nacional

 A porta do barraco era sem trinco

 Mas a lua, furando o nosso zinco

 Salpicava de estrelas nosso chão

 Tu pisavas os astros, distraída,

 Sem saber que a ventura desta vida

 É a cabrocha, o luar e o violão."



 Chão de Estrelas



Composição: Sílvio Caldas / Orestes Barbosa.


 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 11h16
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Eu e São Paulo.

Nota minha no Facebook no dia do aniversário da cidade:

Não sei porque gosto de São Paulo. Acho que gosto de SP porque ninguém me da bola lá. Gosto de SP porque todo mundo me dá muita bola lá. Gosto de lá porque nunca me sinto só quando eu não quero ficar só, e gosto de lá quando quero ficar só, eu e meus oculos, e só lá eu consigo isso. Gosto de lá porque lá sou quase ninguém e as vezes sou muita coisa no aperto do metrô. Gosto de lá porque as pessoas ainda estranham meu sotque carregado ao mesmo tempo que estranho o sotaque deles. Gosto de lá porque conheço gente legal e tenho amigos mais que legais. E é lá que mora Paty, Claudinha, Kiko, Mariana, Luciana e Flora e Hilton porque quem morro de amores.




Escrito por O dono do blog. às 11h07
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Um telefonema de Paris.

 

 duas horas atrás recebi um telefonema  e era de Paris. E era Michelson  que eu achei que estava em alguma missão religiosa na áfrica. Ou até mesmo morrido, porque morrer ás vezes é bom. Mas ele é bom e sendo bom e vívido preferiu a Paris. Não vejo ou ouço ou sinto Michelson por vários anos. Michelson guardou meu telefone debaixo da algibeira por mais de três anos. Ele sabe a serventia que tem guardar meu telefone de casa que não muda nunca para si. Isso mostra que ele tem gosto; mudou-se para Paris e tem meu telefone guardado no lado esquerdo do peito, aquele que tem a maior temperatura.

Michelson falou muito mal do parisiense. Eu falo mal de todo mundo. Mas resolvi  me calar por vários dias. Não escrevi aqui a séculos de meses e Michelson veio me reclamar de modo que, por Michelson e para Michelson, escrevo essa minha milionésima missiva eletrônica.

Devem estar esperando grande coisa de escrita, porque já que passei muito tempo sem escrever devo ter eu pensando em alguma coisa realmente digna de clivo e leitura, algo que mude o mundo. Aqui nada terei dito hoje que não tenha falado ontem: mudo o mundo mais com fala do que com escrita. Pelomenos o meu mundo.

Michelson deve esta dormindo agora sob o céu de Paris. Eu vou dormir sob o meu céu que tem mais estrelas do que o dele.

 



Escrito por O dono do blog. às 21h22
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A simplicidade.

 

Saí para uma cerveja habitual, o simples ato semanal.  Com um amigo, nada mais simples que isso. Fomos interpelado por um rapaz que afirmou que meu amigo estava simplíssimo, se referindo à roupa e ao simples  que  é algo chique. Devo confessar que meu amigo estava na medida, com uma blusa de cor discreta, uma calça jeans que não se erra e uma sandália verão de couro. Inveja.

Eu, por outro lado estava com um casaquinho de tecido sintético com ursinhos psicodélicos que se repetiam aos montes e das mais variadas formas, mas simplicimamente em tons branco e preto.

O cara que adora simplicidade estava a pelo menos três dias sem tomar banho. Simplicidade também é isso.  Usava um pircing que varava seu músculo orbicular do lábio inferior. Seu cabelo era tão grande quanto destratado e sujo. Fiquei conjecturando filosofias sobre o que as pessoas acham da simplicidade e o quanto ela é importante para nós.

Para aquele cara  com cara de Jesus moribundo  a  simplicidade está nas roupas. E a soberba também.

Não acho simplicidade necessária em quase nada. Money, success, fame and glamour: o ser humano nasceu para isso e não há nada de simples nisso. A simplicidade esta também ai.

Portanto deixemos a simplicidade de lado, cousa muito diferente de humildade que também não faz bem a ninguém. Tenho tanta coisa pra falar... crise no oriente, a possível crise na Hungria, minhas dores, mas não to afim e o frio me restringe. Simplicidade é muito mais que roupa. Simplicidade é atitude.

Simples foi a meia hora e o café que tomei com Talbert dia desses. Meia hora de arrependimento porque não parei o tempo ali e fiquei rindo e vendo o simples tecido daquela calça linda  de um costume  que meu amigo usava, combinadíssimo com uma blusa Pólo propositalmente branca e por fora, com um tênis casual que só quem adora a simplicidade glamurosa saberia usar.

Money, success, fame and glamour, anote em letras de neon giratórias em uma tatoo no meio de sua testa. Simples assim.

 

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 13h44
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Eu e os modernos pernambucanos.

 

Moderno é moderno em qualquer parte do mundo. São todos iguais embora queiram parecer um tanto diferentes. Mas moderno pernambucano quer parecer muito mais diferente que qualquer moderno.

Tenho muito medo dos modernos de Pernambuco, muito mais que com os do PT. Os modernos pernambucanos querem mudar o mundo, e de uma forma  que só eles acreditam . Não posso falar que formula é essa ate porque não sou um moderno pernambucano.

Os modernos pernambucanos querem fazer uma ponte do mangue do Recife ate o mangue de uma planeta habitável a anos luz daqui. Modernos pernambucanos não suportam muita gente não-moderna-pernambucana.

Essa ponte sairá do mangue recifense e partirá rumo às estrelas partindo o céu do Recife. Para essa viagem poucos serão chamados. É incerto quantos vão sobreviver. Nem mesmo eles sabem das agruras dessa viagem, mas como todo bom moderno pernambucano, há sempre que se acreditar que se sabe de tudo, mesmo sem se saber.

Moderno pernambucano é quase uma confraria, onde poucos são chamados a entrar e muito poucos se atrevem a  ficar. Deve ser duro ser moderno pernambucano.

Não há data para a tal viagem. Ninguém sabe. Há um certo clima de conspiração no ar, todos os dias. Não se sabe que tipo de nave os levará. Não se sabe de quase nada e quase muito pouca coisa se é dita e se é comungada entre eles; um verdadeiro moderno pernambucano se rivaliza sempre com outro moderno pernambucano.

Mas fico aqui, com minha luneta cósmica tentando ver o inicio e o fim de tal viagem, já que entender, o que é mesmo bom, já desisti desde que troquei meu binóculo antigo por essa luneta transcósmica aqui na minha frente. Será que ela vai conseguir alcançá-los?

 

 

 

 



Escrito por O dono do blog. às 19h32
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Eu e os homens.

 

O homem não vive sem se indagar. Perguntas sem ou com respostas movem o mundo. Hoje mudei o Box do meu banheiro.  Por isso fiquei pensando como ficaram se perguntando os dois rapazes sobre o motivo de um rapaz com muito pouco cabelo cultivar o habito de possuir dezenas de  xampus.

Devem ter ido para casa arrependidos de terem entrado ali. A curiosidade move o mundo e deve ter bulido com aqueles dois homens, pobres homens.

Sem a curiosidade cientifica nada muda, nada transcende. Eles foram embora para casa sem me perguntar o que aconteceria se eu tivesse apenas um xampu. O silencio sem transgressão interrompeu um ótimo diálogo:

- Ola, senhor, seu Box já esta montado. Poderia lhe perguntar uma coisa se não for perturbador demais?

- O que é isso, podem me perguntar, sou todo ouvidos ( e bocas)...

- Porque tantos xampus se só tens uma cabeça?

-Realmente não me sinto dono de uma só cabeça. E em algumas delas tenho muito cabelo, daí a necessidade de uma quantidade maior de xampus. Muitos e multiplos..

-Ah, entendi.

-Querem uma água, um café?

-Não muito obrigado.

-Obrigado a vocês.



Escrito por O dono do blog. às 18h35
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Assuntos sobremodos

 

Não estive por aqui por falta de assuntos; assuntos não me faltam. Estou para os assuntos assim como os temas estão para carnavalescos de escolas de samba. Demorei não porque não tive assuntos. Demorei porque os assuntos foram tantos que não os pude organizar. Foi um baticum total. Um barulho ensurdecedor. Mas eis-me aqui.

Minha Irmã restaurou alguns filmes familiares em VHS que datam de vinte anos. Algo tosco. Ninguém com 13 anos e uma câmera na mão consegue fazer alguma coisa que não seja tosca. Nem  Stanley Kubrick.  Eu beirava os treze e com uma câmera novinha na mão, isso nos anos oitenta ainda não fugi à regra. Mas  torcendo para  que essas copias não caiam na desgraça chamada Youtube. Senão todos vão me ouvir cantar Habanera  c-o-m-p-l-e-t-i-n-h-a numa rede, sem desafinar , com uma potencia vocal absurda, um castratti com ovo, mas sem falar uma palavra em Frances.

Uns dezoito anos depois tive uma experiência única com essa língua. Num domingo de carnaval  pela manha, tive minha primeira aula de Frances com o professor e maestro Hilton Lacerda.

- Bon Jour, ça va?

-Ça va bien.

Acho que algumas pessoas não deveriam morrer. Geraldão  que morreu assassinado semana passada é um exemplo disso. Geraldão é meu alter ego e nunca deveria ter morrido. Hilton também jamais deveria morrer. Hilton é meu ego pós moderno.

Vou dormir porque consegui reunir nessa postagem muita coisa que me consumiu de dezembro até hoje: a falta de assunto e os assuntos em demasia, cópias restauradas em VHS  que temo cair na net, Geraldão que me abandonou, Hilton que teima em me abandonar e o medo de aprender Frances e ficar com ruguinhas na boca. Chego aos trinta e quanto sem nenhuma ruga e muito filtro solar. Muito mais assuntos para se comentar e muito pouca ruga para se chorar.

 



Escrito por O dono do blog. às 00h09
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O homem desimpaciente.

 

Passei meus dias sem acreditar no futuro dos homens. Passei a acreditar mais nos meus cremes do que nos homens. Até me chegar às mãos , pelas mãos do próprio autor, um exemplar de  “ Adultérios, Biombos e Demônios” do professor e  por sorte minha, amigo, Anco Márcio Tenório Vieira.

Não acreditar nos homens no país que vivo é tarefa fácil. Levo muito pouca gente a sério nesse paiol de sacanagens exponenciais, tomada de valores que não seriam os mais sérios ate pouco tempo atrás e do culto à burrice e do mal gosto.

Anco me devolveu a esperança de dias melhores. Ele é daqueles homens desimpacientes, dos que não se estagnam na própria condição, um daqueles homens que podem mudar o eixo da terra com seus pensamentos. Anco não passa seus dias sentado na comodidade da cadeira acadêmica  repassando pensamentos passados e já vistos. Anco veio para desestabilizar  com base na sua ampla leitura o modo de pensar  os fatos a partir de fatos já analisados; seu olho consegue ir aonde ninguém foi, mesmo todo mundo já estando alguma vez la.

 Me explicaria melhor se eu pudesse transcrever aqui alguns artigos desse seu ultimo livro, que na  verdade é uma reunião de teses, ensaios e pareceres  conduzidos em um par de anos e transcritos em periódicos e jornais nacionais. Alguns capítulos trazem a veia profunda analítica de quem sabe o que diz, e o modo de analisar os fatos que pode mudar o próprio modo como o mundo ver aquele fato ate então.

Antes eu gostava de Anco porque ficava hospedado na casa dele. Hoje gosto dele porque ele se mostra um dos poucos que podem pensar o mundo de uma forma que pode mudar o próprio mundo.Comprar e ler o livro de Anco é uma ótima forma de começar o ano com esperanças.

 

 



Escrito por O dono do blog. às 22h28
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